Quinta-feira, Fevereiro 12, 2026
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Discurso de Primeiro Secretário do MPLA no Icolo e Bengo Alvo de Fortes Críticas

O discurso proferido pelo primeiro secretário do MPLA na província do Icolo e , que é concomitantemente governador da recém-criada Província do Icolo e Bengo, Auzílio Jacob, num ato de massa realizado na semana passada, foi duramente criticado por Joaquim Lutambi, vice-presidente do MEIA e professor, durante uma análise na TV Maiombe.

Lutambi classificou o discurso como “desnorteado, desorientado e desgovernado”, sugerindo que o primeiro secretário “tem jeito para fazer comédia, (…) e não para ser político, muito menos um governante com alguma seriedade”. O comentador afirmou que o discurso, com cerca de 40 minutos, é “oco, vazio, sem elementos que entretenham ou pelo menos que animam aquelas pessoas”, e que, em condições normais, “podia ser recolhido para já uma esquadra, porque é um discurso que atenta a contrapaz” e “incita o ódio”.

Governante ou Político Partidário?

Um dos pontos centrais da crítica de Lutambi, incide sobre o facto de o primeiro secretário ter falado “exclusivamente para os militantes”, reduzindo a província ao seu segmento partidário, em vez de abordar aspetos que envolvam todos os cidadãos do Icolo e Bengo.

O comentador critica a promoção de projetos como o “Imbondeiro” e o “PIAC”, que considera projetos do partido, afirmando que o PIAC é apresentado como “exclusivo do CAP” (Comités de Ação do Partido), quando poderia ser um projeto governamental para impactar as comunidades, utilizando “o nosso dinheiro”.

Críticas à Governação e Acusações de Culpa

Lutambi, argumenta que a governação do MPLA e de Auzílio Jacob na província não tem demonstrado resultados práticos, questionando o que foi feito concretamente para resolver problemas dos cidadãos, como a dificuldade de acesso no Zango, que, apesar de anos de paz, continua com apenas uma entrada “tortuosa”.

O professor rejeita a tentativa de culpar a UNITA e a guerra pelos atrasos da província, lembrando que Icolo e Bengo não foi destruído e que Angola vive 23 anos de paz. Para Lutambi, o primeiro secretário e o governo estão “mais preocupados em procurar um bode expiatório” e culpados, sendo que “o culpado é ele próprio”. Ele sublinha que um país jovem com tantos quadros formados enfrenta problemas como o desemprego, a falta de escolas e hospitais, e acusa os dirigentes de estarem “mais preocupados com manter-se no poder a todo custo” do que a resolver problemas básicos.

Desvalorização dos Jovens e Agricultura

O comentador também criticou a insensibilidade do governante ao acusar os jovens de serem preguiçosos, quando a realidade da mototaxi é uma “criatividade do jovem face à incompetência desse governo de não dar emprego”. Relativamente ao apelo à agricultura, Lutambi afirma que a proposta não é credível, dado que é necessário “despartidarizar as instituições” e o acesso à terra e crédito para que não beneficie apenas militantes.

Lutambi concluiu que, se o foco permanecer no discurso partidário em detrimento da administração pública, “a nossa desgraça vai aumentar”.

 

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