O presidente da Associação dos Jovens Unidos e Solidários (AJUS), Mário Durão, reagiu em vídeo, nesta terça-feira, 18 de novembro de 2025, à decisão do Conselho Fiscal e Jurisdicional do Conselho Nacional da Juventude (CNJ), que aplicou sanções de exclusão à sua organização e a outras associações juvenis, incluindo a UNE-Angola, presidida por Mário Fernandes, e a AJOC, liderada por Victorino João Matias.
No vídeo, Mário Durão dirigiu críticas ao presidente do CNJ, Isaías Kalunga, acusando-o de “prepotência, ganância e soberba” e afirmando que o dirigente deveria ter deixado o cargo ao término do seu mandato. “O CNJ não me beneficia em nada. A minha associação continua sendo uma associação, dentro ou fora do CNJ”, declarou.
Durão,acrescentou ainda que a exclusão da AJUS não afeta a sua atividade e reforçou que nunca recebeu benefícios materiais da instituição. “Nunca tive negócio com o CNJ. A casa que me foi atribuída é do Estado e ainda está a ser paga”, disse, rejeitando qualquer ligação de favorecimento.
O líder da AJUS sublinhou que continua a apoiar o Presidente da República e o MPLA, afirmando que a sua posição política não depende da permanência no CNJ. Em tom de conselho, dirigiu-se a Kalunga: “Saia rápido para não ser visto como um jovem rebelde. Dê oportunidade a outras pessoas.”
Por suas palavras, Durão afirmou: O facto de nos tratarmos como irmãos ou amigos não significa que você possa fazer tudo ao contrário, da forma que bem entender. O CNJ não me beneficia em nada, nunca me beneficiou em nada. A minha associação, estando ou não no CNJ, continua sendo uma associação. O CNJ nunca dividiu dinheiro com a Associação Jovens Unidos e Solidários (AJUS), nunca nos beneficiou com camisolas, carros ou chapéus. Pelo contrário, nós já apoiámos o CNJ. Portanto, para nós, isto é indiferente.
Acrescento ainda: se fosse inteligente, não compraria guerra com todas as associações, porque nenhuma associação além daquela com quem você divide benefícios irá apoiá-lo. Mais cedo ou mais tarde terá de sair, e quando sair, reze para ser colocado num cargo-chave, porque se não for, vai se complicar.
Tenha em mente que nem toda a gente quer o seu mal. Há pessoas que chamam a sua atenção para o seu próprio bem, para que não se perca. A petulância faz-nos perder, faz-nos cegar, e é isso que está a acontecer consigo.
Eu não preciso debater consigo, porque você agiu dentro do seu direito, mas como um presidente que já ninguém quer no CNJ, está a fazer coisas que não se devem fazer. Foi investigado e todos os mais velhos sabem. Não pense que os mais velhos estão cegos. Eles sabem que você está a agir de forma errada, fora daquilo que é o segmento do CNJ, diferente da forma como começou o seu mandato.
Você perdeu os princípios, e ao perdê-los, deveria ser mais inteligente e sair agora, dando oportunidade a outras pessoas. Mário Durão tocou no assunto das casas e afirmou que a casa que lhe foi atribuída é do Estado, e que até ao momento ainda está a pagar, não lhe foi dada como oferta. Eu nunca tive negócios com o CNJ.
Isaías, se ainda não saiu da presidência do CNJ é porque sabe que tem um benefício muito grande, que ninguém mais conhece, apenas você. As oportunidades são dadas a si, e não a mim nem a outras pessoas que desconheço. Portanto, fazer um documento de exclusão dos Jovens Unidos e Solidários do CNJ não me afeta em nada, não me tira nenhum pedaço.
Eu sou empresário, sou do MPLA e apoio o Presidente da República a 100%. Já você, está com a capa do Presidente, mas a fazer coisas que não se devem fazer, e isso é complicado.
Aconselho-o como amigo: saia rapidamente para não ser visto como um jovem rebelde. Não faça isso. Seja esperto, saia de forma tranquila e dê oportunidade a outras pessoas.
Segundo o documento do CNJ, as associações ficam afastadas de todas as estruturas e atividades da instituição, podendo solicitar readmissão apenas após três anos, conforme o artigo 31º. A fundamentação da decisão aponta condutas consideradas gravemente lesivas, como:
• Tentativa de comprometer relações institucionais com o Ministério da Juventude e Desportos;
• Prejuízo às declarações com o FADA;
• Danos ao bom nome do CNJ nas redes sociais;
• Campanhas de difamação e calúnia contra órgãos de soberania;
• Atos de indisciplina incompatíveis com os princípios do CNJ;
• Violação reiterada dos estatutos e regulamentos internos




