O município do Cabiri, na provincia de Icolo e Bengo, transformou-se num escândalo nacional e num símbolo chocante da impunidade que parece ter ultrapassado todos os limites toleráveis. As denúncias que chegam da população local não são meros rumores; são um grito de socorro contra um sistema de poder político, policial e militar que, alegadamente, capturou o território para fins de enriquecimento ilícito e extorsão.
A mira das acusações populares aponta diretamente para a Administração Municipal. A gestora Isabel Nicolau Kudiqueba e Bernardo Paulino são acusados de gerir a coisa pública como se fossem proprietários do território, transformando cargos e serviços essenciais em negócios privados. Segundo os relatos, a administração encontra-se completamente paralisada, pois “tudo está capturado”.
A situação agrava-se com a alegada cumplicidade de forças que deveriam garantir a ordem e a segurança. Os líderes da Polícia Nacional, o Superintendente Azevedo Paim e a Inspectora Pitra, juntamente com oficiais das Forças Armadas Angolanas (FAA), como o General Zamba e o Tenente-Coronel Heitor Nunes, são acusados pela própria população de comandar um sistema de medo, extorsão e abuso de autoridade.
O papel institucional inverteu-se: em vez de protegerem o cidadão, os visados estariam a proteger os seus esquemas. O Cabiri, conforme as denúncias, está refém de uma aliança vergonhosa entre poder político, polícia e militares, onde a lei do mais forte prevalece sobre a Constituição.
O clima é de terror e silenciamento. A população afirma que quem denuncia é perseguido e que o silêncio é visto como cumplicidade na manutenção deste ciclo de corrupção.
Este caso não pode ser tratado como mais um. O que acontece no Cabiri é uma afronta direta ao Estado angolano e uma humilhação aos seus cidadãos. O editorial clama, de forma veemente: Não se pede investigação. Exige-se.
O país precisa, urgentemente, de olhar para o Cabiri, porque ali, nas palavras da população, “não há governo: há saque organizado.”




