Quinta-feira, Fevereiro 12, 2026
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Francisco Teixeira critica governo do João Lourenço como causador do sofrimento da juventude angolana

O presidente do Movimento Estudantil Angolano (MEA), Francisco Teixeira, foi o convidado do programa Turbilhão da Sociedade, transmitido pela TV Maiombe e conduzido pelo jornalista Jubileu Panda. Na entrevista, Teixeira fez uma avaliação das ações políticas e sociais de 2025, apontando duras críticas ao governo e ao partido no poder, o MPLA, que segundo ele “estragou o Natal e empobreceu a juventude”.

Principais pontos da entrevista

  • Situação da juventude: Teixeira denunciou que milhares de jovens vivem em condições precárias, sem emprego, sem acesso a educação de qualidade e sem dignidade. “Boa parte dos jovens angolanos não têm guarda-fato, dormem em casas sem reboco e estudam sem livros”, afirmou.
  • Greve dos taxistas e detenções: O líder estudantil classificou como “um dos momentos negros do país” a greve dos taxistas e a prisão de vários líderes associativos, incluindo Chico Wilson, Geraldo Nira e Oswaldo Caolo. Para Teixeira, o governo respondeu com repressão em vez de diálogo.
  • Natal descaracterizado: O entrevistado lamentou que a quadra festiva tenha perdido o brilho de anos anteriores. “O MPLA estragou o Natal, descaracterizou a festa do menino Jesus, transformando-a num dia qualquer”, disse, criticando a dependência das famílias de iniciativas de “Natal solidário” para conseguirem comida.
  • Críticas ao profeta Flávio Canhongo: Teixeira rejeitou declarações do religioso que classificou o MPLA como “partido consagrado por Deus”. Para o presidente do MEA, “Deus não abençoa um partido que faz o povo sofrer e prende jovens por questionarem a fome”.
  • Perspetivas para 2026: O dirigente estudantil apelou à mobilização da juventude para “resgatar a pátria das mãos dos malfeitores” e transformar Angola num país próspero. Defendeu ainda o aproveitamento dos quadros angolanos na diáspora, que segundo ele são ignorados em favor de assessores estrangeiros.

Declarações marcantes

  • “Os jovens não querem tirar o presidente à força, querem apenas comer.”
  • “O MPLA estragou o Natal, descaracterizou a festa e empobreceu as pessoas.”
  • “Nós jovens vamos transformar Angola num país grande, não podemos ter medo.”

Apresentação do tema e do convidado

Hoje estamos exatamente a fazer a avaliação daquilo que são as ações de 2025. Este ano que já está exatamente a terminar. E nós da TV Maiombe convidamos um dos nossos comentadores para então avaliar sobre as ações que foram, ou seja, os temas, os factos, aqueles que foram mais impactantes durante o ano de 2025.

Para esta análise, connosco está o presidente do MEA, Francisco Teixeira, que vem para então fazermos esta avaliação. É com ele que já me dirijo então para saudar e desejar boas-vindas, Francisco Teixeira.

Teixeira: Boa noite à tua equipa e boa noite aos nossos telespectadores e boa noite para si, Jubileu Panda.

Jubileu: Um desses factos que hoje vamos analisar é a greve dos taxistas e dos nossos irmãos que encontram-se nessa altura, detidos sem julgamento. Quase já se faz seis meses ou então cinco meses.

Teixeira: Eu penso que é um dos momentos negros do nosso país. A greve dos taxistas foi antecipada de três manifestações da sociedade civil. Duas manifestações de jovens que na altura reclamavam a subida de combustível e uma manifestação do movimento estudantil do MEA.

A semana seguinte é que veio essa situação dos taxistas. Pensamos nós que o governo não aprendeu nada com isso. Eles além de arrogar-se por potência, eles não percebem mais de nada. Só sabem prender e perseguir as suas. Dar comida às pessoas não conseguem, dar emprego às pessoas não conseguem, dar dignidade às pessoas eles não conseguem.

Os jovens estão detidos, o Chico Wilson está preso, o Geraldo Nila está preso, antes mesmo da greve dos taxistas prenderam o Osvaldo Caholo, o presidente da ATA está preso, o presidente da cooperativa dos taxista está preso, o Rafael está preso. Quer dizer, há uma nata de jovens intelectuais, os jovens líderes associativos que estão presos porque um dia decidiram, exigiram ao governo que não subissem o preço dos combustíveis, que o governo recuassem nessa medida, porque a situação do aumento podia perigar a situação social ou da barriga das pessoas. Estes governantes não entenderam isso, prenderam os jovens. Na época dos confrontos morreram muitos jovens, nem sequer um caixão conseguiu comprar.

Os governantes não perceberam que o problema da juventude não era o poder, ninguém queria tirar o MPLA do poder, a força, ninguém sonha em ir para o palácio e tirar o presidente a força, ninguém sonha em confrontar com as forças armadas, o que os jovens queriam era comer. Por isso é que as pessoas foram ao Arreou tirar comida, ninguém foi assaltar um outro estabelecimento que não fosse de comida, as pessoas têm fome, e estes governantes não entendem que a fome mata, a fome dói, eles não têm noção disso, porque eles comem todos os dias, eles têm bebida todos os dias, eles têm carro todos os dias, têm dignidade todos os dias, eles dormem numa boa cama com ar condicionado, e todo aquele angolano que ousem questionar porque eles têm comida e nós não temos, eles dão um tiro na cabeça. As pessoas foram para a rua, para o Arreou, para o supermercado tirar comida por causa da fome, e passando esse tempo todo, esse governo não conseguiu resolver a situação da comida.

O profeta Flávio Canhongo disse que o MPLA tem as mãos de Deus aí dentro, o profeta Flávio Canhongo tem que ser sério, o profeta Flávio Canhongo, quer dizer, ele até por vezes envergonha a própria palavra de Deus, quando vem aqui dizer que um grupo de indivíduos que governa o país, que mata pessoas à fome, que deixa mais de nove milhões de crianças sem acesso à educação, que não dá quadro às crianças, que não dá giz às crianças, que não dá emprego à juventude. Ô Jubileu, tem jovem que você entra no quarto dele, boa parte dos jovens angolanos não têm guarda-fato, o guarda-fato é balde, Jubileu, é balde.

Tem jovens que roupa, a mesma roupa que ele mete todos os dias ele quando chega em casa mete a roupa num caixote de ar-condicionado, onde são os ar-condicionado? Um caixote de rádio e televisão, um caixote assim qualquer, onde é que fica a roupa. Os Jovens que não têm, que nem cabides têm. Jovem que dorme nasteiras, jovem que dorme numa cama sem condições, jovem que dorme, vive em casa que não tem reboca, que não tem chão. Então, quando o profeta fala isso, quer dizer, eu até não entendo o profeta, o profeta à meia-volta diz publicamente que o MPLA está lhe perseguindo, que eu tinha criado, não é aquele profeta que criou aquela estrutura dos bombeiros voluntários, não tinha sido acusado pelos próprios companheiros do MPLA que ele queria dar golpe ao Estado? Ele não fugiu, não foi ficar no Congo? Quer dizer, isso até é um contrassenso, agora criou o quê agora? Guardas-florestais.

O próprio partido que ele vem defender publicamente, quer dizer, não tem nem lhe dar confiança, e quer dizer, e ele nos comícios do MPLA, aquele profeta, ele leva muita gente, leva lá muita gente, quer dizer, eles alimentam o animal que nos faz mal. Está vendo aquela pessoa, o cão que te morde todos os dias, tem pessoa que demais vai lhe dar comida para te morder, para ter menos força para te morder, quer dizer, então esse trabalho que o profeta faz.

O profeta tinha dito que ia morrer, ainda estou em vida, mas disse que não podia morrer, mas agora disse que já não vou morrer mais. Mas ele não pode falar essas asneiras, Jubileu.

Esse teu amigo já não pode falar essas asneiras, que o MPLA é um partido consagrado por Deus, um partido consagrado por Deus faz o povo sofrer, mete boa parte do jovem desempregado, oh Jubileu!, um partido consagrado por Deus, quer dizer, prende jovens por questionarem por que temos fome.

Um partido consagrado por Deus, oh Jubileu!, mete crianças a estudar, a andar em 15 quilômetros para ter direito à educação, um partido consagrado por Deus, não tem hospitais em condições para atender as pessoas, não tem camas em condições para atender as pessoas, as pessoas dormem no chão, um partido consagrado por Deus não consegue dar água potável às pessoas, todos os jovens estão saindo do interior para vir para Luanda, porque dentro das províncias não tem nada. Esse partido consagrado por Deus, quer dizer, os pastores também têm que reunir e falar com o profeta Flávio, se ele anda mesmo a falar bem, onde está sério o quê? Jubileu, aquele teu amigo tem que lhe questionar. Como é que um partido consagrado por Deus faz sofrer o povo? Deus é Deus de sofrimento? há  aqui um contrassenso.

Eu não acredito na prova do profeta, reprovo categoricamente, e diz ao profeta para dar conselho nos seus companheiros do MPLA, porque o MPLA, o seu partido, está a fazer o povo sofrer, o povo está a sofrer muito, e nesse último comício, esse indivíduo levou muita gente lá. Sim, segundo ele. Segundo ele? Sim, levou cinco, quase cinco autocarros. E ele se orgulha, quer dizer, isso é que me mete indignado e revoltado. Quer dizer, ele se orgulha por ter levado as pessoas lá? Ele se orgulha por o partido dele? Mas não devia ter levado o seu partido dele do coração? É um partido que faz sofrer o povo, segundo ele, tem a mão de Deus.

Não acredito que esse partido tenha a mão de Deus, porque esse partido está nos fazendo sofrer, um sofrimento puro e real. O MPLA nos faz sofrer de forma mais drástica, quer dizer, ele nos mete no cativo-cativeiro, quer dizer, o fundo do poço onde nós fizemos chegar. Então, Jubileu, diga ao teu amigo profeta que não é verdade isso que ele está a dizer.

Diga ao teu amigo profeta para que ele se entenda, crie condições para ver como é que os jovens estão a viver. Os jovens estão a viver mal. A juventude angolana não tem fé, não tem esperança em dias melhores, porque nós somos governados por indivíduos completamente despreocupados.

Aqueles indivíduos, Jubileu, não têm qualquer preocupação com o país. É um sofrimento generalizado da juventude angolana. E é preciso que nós jovens nos levantemos para exigir desses governos alguma dignidade.

Bom, Francisco Teixeira, vive-se exatamente onde hoje é 26, ontem foi 25, estivemos exatamente a presenciar, a ver exatamente muita gente a comemorar o famoso Natal. Como é que olha-se exatamente este Natal que o povo comemorou ontem? Jubileu, é muito triste. Nós olhamos para o Natal de dez anos atrás, sete anos atrás, nós vimos a colorida do Natal, a festa do Natal, a alegria dos mais pobres, a alegria das crianças estampado no rosto.

Mas, ô Jubileu, deixa que eu te diga, o MPLA estragou o Natal. Eu até não sei onde é que nós estávamos distraídos, em que momentos que nós distraímos, que esses indivíduos venderam o Natal, estragaram o Natal, descaracterizaram o Natal, Jubileu. Crianças, ontem vimos crianças, não estão preparadas.

Aquele grupo de crianças que bate as portas para pedir bolo. Não tinha casa para ir porque não tinha bolo nas casas. Quer dizer, as pessoas estiveram o Natal, até algumas pessoas estão a dizer, não, Natal é um dia qualquer.

O meu tio, primo do meu pai, o tio Mungumbala, eu contei-me com ele dia 23, disse, tio, Feliz Natal. O tio me olhou, assim, sério, Jubileu, ele não bebe. Meu filho, Natal é um dia qualquer.

Eu disse, o MPLA chegou até esse ponto, de tornar da cabeça das pessoas que o Natal é um dia qualquer. Um dia que se chama quadra festiva. As pessoas se preparam em função desse dia.

As pessoas metem feitos na rua. O tio Mungumbala está dizendo que o Natal é um dia qualquer. Quer dizer, o tio não tem dinheiro, Jubileu. O tio está pobre, está arrebentado. Então ele, para se proteger, está dizendo que é um dia qualquer. Não, Natal não é um dia qualquer.

Natal é o nascimento de Cristo. Se você, Jubileu, um cidadão normal, o teu aniversário não é um dia qualquer. O aniversário da pessoa que está nos assistindo não é um dia qualquer. O meu aniversário não é um dia qualquer. O nascimento de Cristo é um dia qualquer. Como é que o MPLA é um partido mau? E nós estamos distraídos, nós estamos a estragar o Natal.

Francisco Teixeira: “Como é que um partido estraga o Natal? O Natal ficou descaracterizado. O Natal ficou desorganizado. Não tinha o colorido, porque as pessoas têm fome. Não tinham dinheiro para comprar trigo, não tinham dinheiro para comprar fermento. O povo está sofrendo.

Dizem que o povo não está sofrendo, então por que eles estão tratando o Natal solidário? Hoje, para eu comer um bolo e uma gasosa, eu tenho que ir no Natal solidário, ficar na fila para receber um bolinho e uma gasosa.

Hoje, o povo, para comer um bolo e uma gasosa, tem que ir na administração, tem que ir mendigando administradores. E eles dão o Natal dia 23, dia 22, para nos humilhar, porque dia 25 nós estamos com a nossa família.

Natal não é para eu cumprir na administração. Natal é para eu ter o meu salário, ir no supermercado, comprar comida e comer com os meus filhos. O país retardou, porque hoje, para comer bolo, o indivíduo tem que ir na administração.”

É uma pura vergonha. Eles estragaram o Natal. Descaracterizaram o Natal. Deus não vai lhes perdoar por isso, porque eles estragaram a festa do menino Jesus. Até Jesus eles não respeitam, Jubileu. Estragaram a festa do mestre. Estragaram a festa do mestre, Jubileu. Tornaram o dia do mestre um dia qualquer.

O Timão MunGumbale me olhou e disse: ‘Meu filho, Natal é um dia qualquer.’ É! Natal é um dia qualquer, Jubileu. A rua está enfeitada, os bancos meteram enfeites, árvores de Natal. Toda a rua está pintada. Vai no Bem do Mar como é que está. Isso tudo assim mesmo só um dia qualquer.

Um dia qualquer é 15 de março, 7 de agosto, 7 de abril. Mas não pode ser 25 de dezembro.

Francisco Teixeira: “25 de dezembro… 25 de dezembro é um dia qualquer. Se o mundo todo muda, a pobreza te faz assim. É conforme mesmo, né? É conforme, Jubileu.

Os tios ligaram o telefone demais. Só ligaram hoje de manhã, ligaram dia 24, só ligaram dia 26, para ninguém lhes incomodar. Não querem receber visita, não têm nada para dar. Ele não pode receber visita porque não tem nada. Você sobe e vai lá, não encontra nada. A arca está vazia. Quando na tua arca já se vê aquela parte cinzenta, o chão da arca está estragado.

Muita gente passou o Natal como um dia qualquer. Isso dói, Jubileu. Natal é um dia qualquer. Nós estamos a brincar com coisas sérias. Então, o MPLA é um partido mau. Reprovo mais uma vez o teu amigo profeta, que disse aqui publicamente que o MPLA é um partido abençoado por Deus. Deus não abençoou um partido para fazer sofrer o povo. Deus não abençoou um partido para meter crianças a ficarem das sete até duas horas sem beber água, sem comer um pão. Deus não abençoou um partido para não dar quadro às crianças. Deus não abençoou um partido que deixa as crianças chegarem no cinema de sete e dormirem por sono, de língua portuguesa.

Deus não abençoou um partido que não dá hospitais para as pessoas, que não dá autocarro para as pessoas, que não dá estrada para as pessoas. Estamos a brincar com o nome de Deus, Jubileu. Que sejam mais sérios os teus amigos. Deus meteu a mão onde? No MPLA? É um partido abençoado por Deus? Estamos a brincar com a palavra de Deus. Isso é uma brincadeira, Jubileu.

Resumindo e concluindo: o Natal perdeu o corpo. O MPLA estragou o Natal. Descaracterizou o Natal, porque empobreceu as pessoas, empobreceu a juventude, empobreceu os cidadãos. As pessoas são miseráveis, Jubileu. As pessoas não têm o que comer. E eles gostam assim. E você viu na televisão, eles exibiram o que comeram

 

Não viste? Hoje de manhã, as pessoas estão a exibir os perus que meteram na mesa, porcos, uns mataram bois… Quer dizer, os outros não têm o que comer. E eles se acham. Eles atingem orgasmo, sentem-se satisfeitos quando começam a mostrar o que comeram.

Um empresário postou: matou dois bois, meteu peru, meteu porcos. Eles só eram seis na família, mas mataram dois bois e dois perus. Quer dizer, eles já comeram. E há indivíduos que eram trinta e dois e nem tinham uma galinha, estavam a comer peixe.

Eles aldrabam as suas, são mentirosos, Jubileu. Eles mentem sempre assim: ‘Ah não, o pobre é feliz, o pobre é mais feliz do que o rico.’ Para você nunca ser.

Ô Jubileu, o teu amigo te liga: ‘Epa, estou fodido, estou aqui a almoçar lambula.’ Ah não, Jubileu, lambula é o melhor peixe, não há peixe mais saudável que a lambula. Mas vai na casa dele, nunca está a comer lambula. Vai nas festas dele, não está a comer lambula. Você que anda aí nas cidades grandes, já viu isso alguma vez nas cubas? Eles meterem lambula? Nunca.

Mas eles dizem que os nutricionistas afirmam que o melhor peixe mais saudável é a lambula. Ele está a dizer para os pobres comerem, mas eles não comem.

Ô Teixeira, tem que ser mais sério. A lambula é mais nutritiva que a picanha, a lambula é mais nutritiva que o carapau. Eu prefiro. Olha, há sítios ali que se come lambula e outros peixes já não entram. Quer dizer, aquilo é para ti, continua a te meter assim.

E eles dizem: ‘Não, a lambula é o melhor peixe do mundo, é o peixe com mais nutrientes.’ Mas eles não comem, nunca lhes viram a comer. Já viste um dia numa cidade eles meterem lambula? Já viste se eles iam comer? Não.

A lambula tem mais nutrientes que uma carne de vaca, a lambula tem mais nutrientes que a picanha. É assim que eles aldrabam o povo. Foi assim que eles continuaram a nos aldrabar.

“Porque não… Ô Jubileu, não fica só rico. Rico não tem paz. Rico… não. Pobre você está melhor. E você, não… não vai ser pobre, vou entrar no céu. É mentira, Jubileu. É assim que eles andaram a nos enganar durante o tempo todo. Essas todas as mentiras dele, essas todas as astúcias dele.

Está percebendo? Não faz política. Política mata. Mas eles estão na política, estão a decidir, estão a decidir mal por ti. Nós vamos inverter esse jogo, Jubileu. A juventude vai lutar e vai transformar Angola em um país grande.

Nós vamos transformar Angola em um país grande. Nós vamos nos orgulhar de ser angolano daqui a pouco. Não falta muito, falta pouco. Quando Jonas Savimbi, Holden Roberto, Agostinho Neto diziam que iam correr com a Colônia, houve pessoas que riram, houve pessoas que duvidaram, diziam: ‘Não, não é possível, a Colônia ficou há 500 anos.’

Mas quando as pessoas cantavam: ‘Quando os homens se entenderem, ai ai ai, a paz vai chegar…’ O Jacinto de Ipacantó, Jubileu, dizia: ‘Quando acabar essa guerra, mamãe, eu sei que voltarei a casa.’ O meu tio duvidava e dizia: ‘Mas filho, a guerra nunca vai acabar.’ A guerra acabou.

E nós estamos a dizer também hoje que um dia Angola será um país grande. Um dia a juventude vai ter transporte público. Um dia a juventude vai ter emprego digno. Um dia os jovens já não vão mais guardar suas calças nas caixas. Um dia os jovens já não vão meter mais suas roupas na banheira.

Os jovens vão ter guarda-fato. Os jovens vão ter casa digna. Não vão viver mais com rato, com as centopeias, com lagartichas.

“Vão viver com dignidade. Nós temos muitos jovens que vivem mal, dormem mal, comem mal. Boa parte de nós jovens vive mal, dormimos mal, comemos mal. Não temos qualquer dignidade.

O jovem está a acabar o ano só com um sapato. O sapato fica torto, tentando andar o sapato fica ade lado. Está a perceber? É assim que é o sofrimento. O sofrimento, quando é demais, é assim, Jubileu. Você começa a transpirar toda hora, o cabelo começa a desaparecer. É fome. Então nós temos que mudar isso urgentemente.

Mas nós vamos fazer esse país grande. Nós vamos continuar a aprisionar esse governo para que Angola seja um país grande. Nós vamos transformar isso em uma nação grande. A juventude tem que se levantar, tem que lutar. Não pode ter medo. Não podemos ter medo desses carrascos que sequestraram o país, tornam o país refém dos seus caprichos, tornam o país refém dos seus desejos, comem tudo e não nos dão absolutamente nada. Quando questionam, lhe prendem e lhe matam.

Olha, primeiro Jubileu: o país é mesmo nosso, Jubileu. Ninguém é te aldraba. Angola é nosso país. Angola é nossa pátria, Jubileu. Ninguém ama mais Angola do que nós angolanos. Os jovens devem colocar na cabeça que precisamos de resgatar a pátria da mão dos malfeitores.

Mas de que forma? Lutando, Jubileu. Lutando. Tens dúvida, Jubileu? Tens dúvida que nós vamos resgatar o país? O Jubileu tem dúvida que nós jovens não somos capazes de fazer Angola um país próspero? O Jubileu tem dúvida que nós não somos capazes de fazer um país grande? Não duvida da força da juventude, Jubileu.

Nós vamos resgatar esse país e vamos meter o país a andar. Essa pobreza, essa miséria, aqueles que nos humilham, que nos maltratam, que não nos dão emprego, não nos dão comida, não nos dão água… isso vai acabar, Jubileu. Escreve o que eu estou a te dizer.

Nós vamos nos levantar e vamos exigir dignidade. Nós temos técnicos suficientes, Jubileu. Nós temos aqui, temos na diáspora, só em Portugal há muitos angolanos, na Europa toda. Se criarem condições, se fizerem boas propostas para virem para cá, nós temos quadros capazes de fazer o país crescer.

Não é esse grupo de sanguessugas que os ministros e governantes vão buscar, expatriados que estão na Zona Angola, estão na Índia, estão nos lugares-chave como assessores, que não conhecem Angola, nada fazem por este país e ganham dez vezes mais do que os angolanos.

Nós temos angolanos aqui, temos angolanos na diáspora, com inteligência suficiente para estar em lugares-chave. Mas nós temos um problema, Jubileu: é a bandidagem da contratação de assessores no exterior. Vão buscar assessores que têm o mesmo nível que os angolanos que estão aqui.

Vai às empresas petrolíferas, vai ao Ministério das Finanças, vai ao Ministério dos Petróleos, vai à Zona Angola… todos são expatriados. E muitos deles não têm qualidade igual ou superior a muitos angolanos que estão aqui e que estão na diáspora.

Por que não vão buscar os angolanos que estão na diáspora, que estão na Inglaterra? Tem muita gente que está em Portugal, na Inglaterra, na Rússia, na China. Nós temos quadros de verdade. Muitos angolanos estão lá e não querem vir. Não querem vir porque não há propostas.

“Não querem vir porque o governo não faz propostas sérias. Não querem vir porque esse governo não abre o país. Se fizessem uma proposta boa para a Zona Angola, para a Índia, para empresas públicas, com salários bons e a habitação que eles dão aos expatriados aqui nos grandes condomínios, nos grandes hotéis… os angolanos viriam. Viriam!

Os angolanos não saíram daqui porque não amam Angola. Não saíram daqui porque já não gostam da Angola. Saíram daqui porque esse país está completamente de cabeça para baixo e, não tendo outra saída, preferiram emigrar.

Há jovens que já têm um Ph.D. e estão a trabalhar na fazenda, Jubileu, a colher maçã, a colher pera. Indivíduos que aqui eram doutores, estavam no hospital a fazer cirurgia, hoje estão a trabalhar num lar de idosos. Quem perdeu o país? Porque quando você perde um cirurgião para ir trabalhar numa fazenda a colher maçã ou pera, o país é que perdeu. Quando você perde um grande engenheiro que hoje vai trabalhar num restaurante a servir comida, o país é que perdeu.

É uma pena! Nós estamos a perder quase todos os dias. Parece que isso não dói a esses governantes, porque eles vão buscar dois, três assessores que nem têm competência suficiente. Estão a ganhar dois, dez milhões de kwanzas na assessoria, que podia pagar dois, três ou quatro angolanos.

Então o país está retardado. Mas eu te digo, Jubileu, assumo aqui publicamente: nós jovens vamos transformar o país, vamos lutar contra aqueles que querem impedir o desenvolvimento do país.

Quem quer impedir o desenvolvimento do país?

Teixeira: Aqueles ali.

Quais?

Teixeira: Aqueles ali que usam camisola vermelha. Os que usam camisola vermelha não estão preocupados com o crescimento do país.

Está a falar do MPLA. Então você os conhece, Jubileu. Você os conhece. Querias ouvir eu pronunciar o seu nome? Mas querias ouvir eu pronunciar o nome deles? Mas não podes. Mas querias ouvir eu pronunciar o nome deles? Mas o teu problema… o sofrimento que eles nos fazem viver… O teu problema que tens com o MPLA, será que é pessoal? Alguma vez quando eu falo, choro. Mas qual é o tanto? Choras por quê? Oh, Jubileu.

Não estás a ver o estado que as crianças estão a comer no lixo, Jubileu? Não estás a ver as crianças que não têm escola? Jubileu, não sabe que eles roubaram o dinheiro dos livros? As crianças estão a estudar sem livros. Jubileu, não sabe que eles roubaram o dinheiro das carteiras? As crianças estão a sentar no chão. Jubileu, não sabe que eles mentiram que podiam dar comida quente? Refeição escolar… não está a dar nada.

Jubileu, não sabe que quando você vai no hospital não tem cama? Não sabe que há pessoas que estão a aguardar por uma consulta ou por uma operação há mais de dois, três anos? Jubileu, não sabe disso.

E eu devo pronunciar o nome dele constantemente? Então alguém que te faz mal, tu tens que falar o nome dele constantemente? Não. Eu, quando falo o nome dele, a cabeça começa a me doer. Isso é ter ódio, não é? Não, não podemos ter ódio. Nós somos cristãos. Nós estamos indignados com a forma como eles estão a nos tratar. Estão a nos tratar pior que cães. Estão a nos tratar pior que porcos.

Eu te disse aqui, Jubileu: tem jovens que não têm guarda-fato. A roupa deles fica no balde, fica na bacia. Tem jovens aqui que não têm nem aquilo de pendurar roupa na parede, sanefa. Não têm. Jovens miseráveis. Estão a acabar o ano com duas calças, estão a acabar o ano com duas camisas. O sapato já está a ficar torto, o sapato fica pelado.

Também só têm duas camisas? Não acredito, Jubileu. Você vai em grandes comícios, você acompanha atividades de alto nível. Estiveste no último comício no Kilamba. Os caras também fazem parte daquele grupo que comeu a carne com a mão, o boi. Quer dizer, é assim que eles governam.

E quando vais para lá, Jubileu, também lhes fala: o povo está a sofrer. Diga a eles. Mas eles não estão a ver? Não, mas você tem relação, proximidade com eles. Não, mas o Teixeira também tem. Sim, mas eu falo. Estou a lhes falar agora: que temos fome, que o Natal vocês estragaram, o Natal, a festa do menino Jesus.

Por que achas que eu devo falar com eles e não você? Eu já estou a lhes falar. Não estão a ouvir? Você, se calhar, por causa da proximidade. Mais proximidade como? Estavam aqui profetas a ofenderem o povo, a disparatarem a população. Quer dizer, quando um profeta sai da casa dele lúcido… porque ele profeta, não bebe. É sério.

“E diz assim, aqui publicamente, na TV Maiombe, que o MPLA é um partido ungido por Deus. Ô Jubileu, no mínimo tem que desligar as câmaras, manda desligar a energia.

Como é que eu vou fazer isso?

Teixeira: Corta o sinal, diz que não tem. E aí, Jubileu, não pode pactuar com isso. Mas não pode. Como é que um indivíduo sai da casa dele e diz que o partido que mete o povo a sofrer, que prendeu o Chiquinho, prendeu o Osvaldo Caolo, prendeu o General Nila… é ungido por Deus?

E vocês, Jubileu, aqui sentados, a olhar, a pactuar com essas merdas.

Não, mas a minha função é perguntar.

Teixeira: meu afilhado desligava a energia, desligava a internet, fechava a porta, Jubileu. Ou chamava a polícia, prendia esse indivíduo. Tem que voltar a ser julgado por aquele crime que ele cometeu. Não pode fazer essas merdas, Jubileu.

Eu fiquei arrepiado, eu estava a tremer, eu estava a tremer. Eu podia chamar a polícia.

E não chamou por quê?

Teixeira: Não, Jubileu. Depois percebi que a polícia também está do lado daqueles que ele quer defender. Então fiquei invocado. Mas eu estava indignado contigo, Jubileu.

Oh, mas comigo por quê?

Teixeira: Não, não faça assim. Eu sei que a tua função é perguntar. Mas, Jubileu, ungidos por Deus? Oh, Jubileu… quem disse isso? Eu estava a explicar com a palavra do Senhor.

Ungido por Deus? Um partido ungido por Deus mete o povo a sofrer? Eu não entendo isso porque eu não sou cristão. Eu sou xiita, sou muçulmano. Mesmo assim, Jubileu, orientava-se só para desligar a energia. Da próxima vez que isso acontecesse…

Mas eu não posso fazer isso.

Teixeira: Da próxima vez que isso acontecesse, que o indivíduo vier aqui, dentro das suas faculdades mentais, dizendo essas paradas, enquanto o povo sofre… Jubileu, eu te peço do fundo do meu coração: desliga a energia ou corta a internet.”

“Não é ditadura? Não. Isso nos ofende. Eu estou agredido. Sinto-me ofendido. Estou indignado. Até a minha fome passou. A minha fome passou.

Quer dizer, ele chegou aqui… um partido. Um partido ungido por Deus. Eu levei um milhão, mas não… antes do comício. Eu tenho popularidade. Quer dizer, a popularidade dele devia servir o povo. Só está a servir o partido dele. E agora dizer partido não me dá nada. Então o partido te persegue e você mente na pessoa. Esses prefeitos também são um brincalhão, Jubileu.

Então, Jubileu, resumindo, meu irmão: nós temos um caminho grande pela frente. Mas eu te garanto, a nossa geração de jovens vai fazer mudança. Nós vamos exigir dignidade. Não vamos mais aceitar, no próximo ano, que nenhuma empresa pague abaixo do salário mínimo. Não vamos mais aceitar que os jovens trabalhem sem segurança associada. Não vamos mais aceitar que venha aqui empresa escravizar os angolanos.

Agora, não vamos aceitar que nenhum estrangeiro cospe na cara do angolano. Não vamos aceitar que nenhum estrangeiro dê chapada na cara do angolano. Quem fizer isso vai ter problema connosco. Já abusaram demais. Já ofenderam demais. Já nos pisotearam demais.

As pessoas estão aqui em Angola, devem cumprir com as leis angolanas. Eu te pergunto: o que é que a senhora ministra do Trabalho está a fazer? O que é que a senhora ministra do Trabalho e o senhor Esbalheiro estão a fazer? As pessoas no Ministério do Trabalho fazem o quê? Como é que os jovens estavam a ser obrigados a trabalhar dia 25 e dia 1? Fomos nós que travamos isso.

E nós estamos aqui a avisar publicamente: qualquer expatriado… os expatriados em Angola são bem-vindos, desde que respeitem as leis da Angola, respeitem o povo angolano. Os expatriados não podem vir aqui para nos abusar. Não podem vir aqui para nos insultar. Já abusaram demais. Já pisotearam demais. Já humilharam muito. Chega!

Os expatriados que dão na cara do angolano, que cospem na cara do angolano… e nós queixamos. E vêm aqui pessoas da inspeção, da própria estrutura… esses expatriados não se repartam. Não se repartam

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