Quinta-feira, Fevereiro 12, 2026
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Polícia Trava Marcha contra Violência de Género em Luanda e Detém Mais de Dez Activistas

LUANDA-O que deveria ser um protesto pacífico contra o abuso de mulheres e crianças transformou-se, na manhã deste Sábado, 10 de Janeiro, num cenário de confronto e detenções. Mais de dez activistas e cidadãos foram detidos pela Polícia Nacional no Largo do Mercado de São Paulo, ponto de concentração de uma marcha que visava denunciar a crescente vaga de violência no país.

Desde as primeiras horas do dia, o Largo do Mercado de São Paulo foi ocupado por um forte dispositivo policial, que incluiu viaturas e a brigada canina. O impedimento da concentração surge na sequência de um braço-de-ferro entre a organização e o Governo Provincial de Luanda (GPL).

Embora a marcha estivesse autorizada, o GPL propôs a alteração do percurso para o itinerário “Largo do Cemitério da Santa Ana até ao Largo das Escolas”. A organização, porém, manteve a decisão de utilizar a rota original: do Mercado de São Paulo ao Largo das Heroínas.

“Não houve afronta às autoridades. Ponderámos alterar o final, mas o local de concentração seria mantido”, explicou a activista Laurinda Conde, uma das detidas, em declarações proferidas antes da intervenção policial.

“O Corpo da Mulher Não é Saco de Pancadas”

O activista Jaime Mussinda (conhecido como Jaime MC), presente no local, repudiou veementemente a ação policial, sublinhando o caráter pacífico da manifestação.

  • Balanço das Detenções: Mais de 10 cidadãos foram levados pelas autoridades.

  • Justificação do Protesto: Exigir respeito pela dignidade da mulher e o fim das agressões físicas.

Para os membros do Movimento Cívico Mudei, o bloqueio da marcha é interpretado como um sinal de que o Estado está a “combater quem quer dar dignidade à pessoa humana”, lamentando que a polícia tenha seguido “ordens unipessoais” em vez de proteger o direito à manifestação.

A especialista em direitos humanos, Flora Telo, classificou a atitude das autoridades como “absurda e insensível”. Para a activista, a gravidade dos abusos em Angola — exemplificada pelo recente caso da menor Belma, de 15 anos, vítima de agressão sexual filmada e partilhada nas redes sociais — deveria mobilizar toda a nação.

“Pedimos liberdade aos activistas detidos. Há muitos bandidos que cometem injustiças e violadores do erário público em liberdade”, desabafou Leila Futila, que também marcou presença no local.

Até ao fecho desta edição, o Comando Provincial de Luanda da Polícia Nacional não emitiu qualquer resposta oficial sobre as detenções ou sobre o uso de força para impedir a concentração.

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