SEQUELE, ANGOLA – Grupos da sociedade civil e jovens do município do Sequele anunciaram a realização de uma manifestação no próximo dia 31 de janeiro (sábado). O principal objetivo do protesto é exigir a exoneração imediata do actual administrador municipal, sob acusações de incompetência, abandono das funções e favorecimento de interesses estrangeiros.
Mário faustino, um dos subscritores do ato, afirma que o administrador “quase não para na administração” e que passa mais tempo em viagens à China do que no próprio município. Segundo o ativista, quando está no país, o governante dedica a maior parte do seu tempo ao Mercado do 30, negligenciando o despacho de documentos e as necessidades urgentes da população.

Os organizadores do protesto destacam que o município enfrenta graves problemas estruturais que têm sido ignorados, tais como:
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Crise de Subsistência: Relatos de fome extrema, com crianças desmaiando nas ruas e famílias buscando alimentos em contentores de lixo.
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Saneamento e Água: Falta de saneamento básico e dificuldades no acesso a água potável em bairros além da zona central de prédios.
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Conflitos de Terra: Denúncias de tentativas de desalojar populações locais na área da Funda para ceder terrenos a empresários chineses.
Clima de Tensão e Denúncias de Coerção
O depoimento traz revelações graves sobre a segurança dos organizadores. Mário Gostino alega ter recebido informações de que o administrador estaria a pagar a grupos de jovens para intimidar e agredir fisicamente aqueles que contestam a sua gestão. O ativista mencionou especificamente nomes de indivíduos que seriam contratados para realizar estas “surras” em troca de bens como motorizadas ou sacos de arroz.
Apesar das ameaças, os organizadores afirmam que a mobilização está em fase avançada, com a entrega de panfletos e a formalização da intenção de manifestação já entregue às autoridades. O movimento afirma contar com o apoio de:
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Jovens de diversas localidades como Funda, Rio ceco e Cinco Fios.
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Funcionários da própria administração municipal que estariam descontentes com a gestão atual.
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Membros da sociedade civil e das comunidades locais.
“Pedir a exoneração de alguém não é crime. Os munícipes podem exigir isso quando os seus objetivos não são realizados”, afirmou Faustino, reforçando que a marcha será pacífica e que não pretendem recuar na exigência de um administrador comprometido com a causa pública.



