Em janeiro de 2026, o Governo de Angola determinou o encerramento de todas as casas de pesagem de sucata, revogando licenças comerciais e proibindo a atividade de intermediários e entrepostos ligados ao negócio de metais. A decisão surgiu como resposta ao aumento de casos de vandalismo em infraestruturas elétricas, hídricas, de transporte e comunicação, cujos componentes metálicos eram desviados para comercialização ilícita.
No programa “Turbilhão da Sociedade” da TV Maiombe, conduzido pelo jornalista Jubileu Panda, o sucateiro Elias Kiluma fez um apelo emocionado ao Executivo, pedindo a reabertura das casas de pesagem ou a criação de medidas alternativas que permitam aos trabalhadores honestos continuar a exercer a sua atividade. Kiluma destacou que muitos cidadãos que dependiam desse trabalho estão agora sem sustento, enfrentando dificuldades para pagar energia, educação dos filhos e outras despesas básicas.
Pergunta: O decreto presidencial proibiu a comercialização de ferros e materiais metálicos. Como vocês olham para essa medida do Executivo Angolano?
Resposta: Estamos a obedecer o que o governo mandou fazer e fechar tudo. Ninguém ainda está a fazer nada, estamos parados. Essa decisão para nós está muito dura, não é fácil. Estamos a passar mal, a sofrer. Algumas pessoas já voltaram para a rua a roubar, mas nós ainda estamos a aguentar e esperar.
Pergunta: Qual é a situação dos trabalhadores que estavam consigo?
Resposta: Tenho menos trabalhadores agora. A maioria eram pessoas que antes roubavam na rua, mas eu confiei neles e passaram a trabalhar comigo. Agora o trabalho está parado e isso me dá pena. Muitos já voltaram a roubar e assaltar pessoas, inclusive telefones. Por isso pedimos ao governo outra medida para podermos trabalhar.
Pergunta: Quais são as principais dificuldades que enfrentam neste momento?
Resposta: Não estamos a aguentar. Temos dificuldade para pagar energia, televisão, saldo, escola das crianças. As famílias dependem de nós. As mães ficam em casa e nós trabalhamos para sustentar. Agora está muito complicado.
Pergunta: O que pedem concretamente ao governo?
Resposta: Pedimos ajuda. Que o governo crie uma regra que possamos obedecer. Nem todos vandalizam bens públicos. As pessoas que roubam devem ser presas, mas nós que trabalhamos não podemos ficar paralisados por causa delas. Eu pago impostos, pago funcionários, cumpro as regras. Só queremos continuar a trabalhar.
Pergunta: Qual é a mensagem final para o Presidente da República?
Resposta: Presidente, o senhor é como um pai. Não pode ser por causa de uma pessoa que todos sejam castigados. Pedimos perdão pelo que aconteceu e ajuda para continuar. Quem roubar deve ser preso, mas quem trabalha precisa de apoio. Estamos a sofrer muito, não vamos aguentar ficar parados. Somos filhos do país e queremos apenas uma forma de trabalhar dignamente.



