Angola apresentou, esta quarta-feira, uma proposta de cessar-fogo entre o Governo da República Democrática do Congo (RDC) e o movimento rebelde M23, a vigorar a partir das 12h00 do dia 18 deste mês. A iniciativa resulta do encontro realizado em Luanda, na última segunda-feira, entre o Presidente João Lourenço e os seus homólogos do Togo, Faure Gnassingbé, da RDC, Félix Tshisekedi, além do ex-Presidente da Nigéria, Olusegun Obasanjo.
Segundo comunicado da Presidência da República, o Governo angolano aguarda um pronunciamento público de aceitação da data proposta. O documento acrescenta que o início da fase preparatória do diálogo intercongolês, também previsto para decorrer em Luanda, será anunciado oportunamente.
O encontro de Luanda decorreu num cenário de persistente instabilidade no leste da RDC, que continua a mobilizar esforços diplomáticos africanos. Durante mais de cinco horas de conversações, os líderes analisaram os recentes desenvolvimentos no terreno e apelaram às partes em conflito para declararem um cessar-fogo, incentivando a aplicação dos mecanismos de verificação acordados em Doha, em Outubro de 2025.
A reunião conferiu ainda a Angola o mandato para iniciar consultas com todas as partes congolesas interessadas, com vista à criação de condições para um diálogo intercongolês. Os participantes recordaram decisões previstas no Acordo de Washington, de Dezembro de 2025, e nas Resoluções 2773 e 2808 do Conselho de Segurança da ONU, relativas à retirada das tropas rwandesas do território congolês e à neutralização das Forças Democráticas de Libertação do Ruanda (FDLR).
Apesar dos acordos de paz assinados em Dezembro de 2025 entre a RDC e o Rwanda, mediado pelos Estados Unidos e testemunhado por líderes internacionais, incluindo João Lourenço, a violência persiste. Grupos rebeldes, com destaque para o M23, mantêm confrontos com as forças governamentais em zonas como Minembwe, Fizi e Uvira, provocando deslocamentos massivos de civis e agravando a crise humanitária nas províncias do Kivu.
Organizações da sociedade civil alertam para a fragilidade dos acordos e para a persistência de abusos contra civis, enquanto Kinshasa e Kigali trocam acusações de apoio a grupos armados, alimentando receios de uma escalada regional.
Paralelamente, continuam negociações em Doha entre o Governo congolês e representantes do M23, que resultaram numa declaração de princípios para retomar o diálogo. Está em análise a criação de mecanismos internacionais de monitorização, com eventual envolvimento das Nações Unidas.



