MBANZA CONGO, ZAIRE – Uma operação policial resultou na detenção de pelo menos sete pessoas, incluindo o candidato ao trono do Reino do Congo, Ndoma NKosi Nzinga Nkuvo, e o Rei do Soyo, António Ampinda. O incidente ocorreu neste sábado (23), em Mbanza Congo, capital da província do Zaire, durante um evento que visava apresentar publicamente o candidato à sucessão real.
De acordo com a denuncia de João Barros, líder religioso e membro da organização do evento, a comitiva foi intercetada por forças policiais no momento em que entrava num salão de festas local. Os agentes alegaram cumprir “ordens superiores” para conduzir as lideranças tradicionais. Ao ser solicitado o mandado de captura ou de busca pela liderança visada, as autoridades policiais reforçaram apenas o cumprimento das diretrizes recebidas.
Os detidos foram encaminhados para a Esquadra Municipal de Mbanza Congo, onde prestaram depoimentos. Segundo os organizadores, a investigação informou posteriormente que as ordens de detenção e a apreensão de bens decorreram de uma orientação direta do Governador Provincial do Zaire Adriano Mendes de Carvalho.
A liderança do evento contestou veementemente a intervenção policial, assegurando que o ato não foi realizado de forma empírica. Segundo João Barros, desde dezembro que as autoridades competentes — incluindo o Ministério da Cultura, a Presidência da República, o Governo Provincial do Zaire e o Serviço de Inteligência e Segurança de Estado (SINFO) — haviam sido formalmente notificadas sobre a realização da atividade.
“A orientação do governador eu não olho com bons olhos, porque nós somos cidadãos angolanos. O Reino do Congo já tem séculos, todo o mundo tem o conhecimento de que o povo Congo tem o seu reino.
A reposição do seu reino não seria motivo para levar as pessoas a serem apreendidas”, lamentou Barros. A operação também teve ramificações internacionais. O monarca convidado proveniente da República Democrática do Congo (RDC) foi impedido de entrar em território nacional pelas autoridades fronteiriças, inviabilizando a sua participação na cerimónia de entronização.
A ação governamental e policial está a gerar forte contestação no seio da organização. Os promotores da atividade defendem que a reposição do histórico Reino do Congo — cuja existência secular é amplamente reconhecida — é um direito cultural legítimo que não deveria ser tratado como um caso de polícia ou motivo para detenções.
Até ao momento, os detidos permanecem nas celas da esquadra municipal de Mban za Congo. A equipa da TV Maiombe continua a acompanhar o desenrolar da situação no local.



