VIANA, LUANDA – O que deveria ser um espaço de trocas comerciais tornou-se um cenário de medo e brutalidade. Na zona da Estalagem, a linha que separa a fiscalização da tortura parece ter sido apagada. Mulheres que lutam diariamente pela sobrevivência relatam métodos de repressão que incluem espancamentos com “paus de sombrinha” e katanas, transformando a busca pelo pão cotidiano numa batalha pela integridade física.
Vendedoras ambulantes e comerciantes do mercado da Estalagem, em Viana, denunciam um cenário de violência extrema protagonizado por fiscais e agentes da Polícia Nacional. Entre agressões com katanas e apreensões arbitrárias, as mulheres lançam um apelo desesperado ao Presidente João Lourenço.
Os relatos são dramáticos e convergem para uma realidade comum: a força pública, constitucionalmente obrigada a proteger o cidadão, é apontada agora como o principal agressor. “Estamos a ser mesmo torturadas na mão dos polícias e dos fiscais”, desabafa uma das vendedoras sob anonimato, sublinhando que, além da violência física, as humilhações e ofensas verbais fazem parte do quotidiano.
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Promessas Eleitorais: Relembram que a “comida barata” e a paz social parecem ser slogans reservados apenas aos tempos de campanha.
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Impacto Social: Sem mercadoria, estas chefes de família não conseguem pagar rendas, propinas escolares ou garantir a alimentação básica. O ciclo de pobreza é alimentado pela própria mão do Estado.
O apelo não é apenas por clemência, mas por organização. As vendedoras são claras na solução: se o governo não as quer nas ruas, deve “arrumar uma praça grande” com condições reais de venda.
A mensagem deixada ao Palácio da Cidade Alta é um ultimato pela dignidade: o povo que elegeu o governo pede agora proteção contra aqueles que, em nome da ordem pública, estão a destruir as famílias angolanas



