LUANDA – O sector eléctrico em Angola, que engloba empresas estratégicas como a ENDE-EP, PRODEL-EP e RNT-EP, enfrenta um clima de forte tensão laboral. Uma denúncia pública vinda das bases expõe uma fractura profunda entre os dois principais sindicatos do sector: o Sindicato dos Trabalhadores de Energia e Águas (STMEQ) e o Sindicato Nacional dos Trabalhadores do Sector Eléctrico (SINTEE).
O descontentamento atingiu o seu auge após uma recente reunião com o Conselho de Administração da ENDE-EP. Segundo relatos de filiados, o STMEQ terá manifestado satisfação com um reajuste salarial de apenas 10%, classificando-o como suficiente.
A posição é vista por muitos trabalhadores como uma afronta, dado o actual custo de vida e as dificuldades financeiras enfrentadas pela classe. Alega-se que o STMEQ adoptou uma postura que “fragiliza a luta colectiva”, distanciando-se do caderno reivindicativo real das bases
A actuação da liderança do STMEQ está sob forte escrutínio, com trabalhadores a levantarem dúvidas sobre:
- Gestão Financeira: Falta de transparência na utilização das quotas sindicais pagas pelos membros.
- Inércia Social: Ausência de acções sociais concretas em benefício dos filiados.
- Isolamento Geográfico: Fraca presença e visibilidade da liderança fora do eixo Luanda-Bengo, deixando as províncias desamparadas.
- Divisão Interna: Discursos divisionistas proferidos por dirigentes provinciais que atacam outras estruturas em vez de promoverem a unidade.
Face ao que descrevem como “acomodação” da actual estrutura, diversos trabalhadores manifestaram publicamente a intenção de abandonar o STMEQ para se integrarem no SINTEE. Este último é apontado como uma organização “mais activa, comprometida e alinhada” com as necessidades do sector.
“O sindicalismo deve ser um instrumento de defesa firme e não um espaço de acomodação ou fragilização da luta colectiva”, afirma um dos manifestantes em nota pública.
A fragmentação da classe surge num momento crítico para empresas como a ENCEL-UE, HIDROCHICAPA e ELECNOR, onde a unidade seria fundamental para negociar melhores condições de trabalho. O apelo que ecoa das províncias é por maturidade e por uma luta sindical que privilegie a transformação social em detrimento de “vaidades pessoais”.



