LUANDA – O que começou como uma história de superação e esperança nacional conheceu, esta quarta-feira (28 de janeiro), um capítulo de incerteza. Mateus Domingos, o jovem que comoveu Angola ao salvar várias pessoas num acidente de autocarro em Viana, em junho de 2025, abandonou a Escola de Formação da Polícia num cenário marcado por acusações de conduta criminal e lamentações oficiais.
A Polícia Nacional confirmou, através de um comunicado, a desistência voluntária do jovem do Colégio de Polícia Comandante José Alfredo “Ekuikui”. A instituição expressou preocupação, alegando que o formando demonstrava um desempenho positivo e beneficiava de um regime de ensino adaptado às suas necessidades.
Contudo, os bastidores da saída são mais complexos. Informações recentes indicam que Mateus é suspeito de furtar diversos telemóveis de colegas, com prejuízos estimados em mais de um milhão de kwanzas. Fontes anónimas referem ainda que o jovem teria tido comportamentos inadequados durante a formação, incluindo o alegado consumo de substâncias ilícitas e uma passagem por uma esquadra na Camama por furto.
O Ministro do Interior, Manuel Homem, reagiu publicamente através das redes sociais, lamentando a decisão do “Herói de Viana”:
“Com sentimento de tristeza, tomámos conhecimento da sua decisão de não prosseguir, por agora, o caminho da formação e da preparação para um futuro mais sólido”, escreveu o governante, desejando, ainda assim, “luz e serenidade” ao jovem.
Por outro lado, o Comissário Waldemar José trouxe uma perspetiva diferente para o debate. Para o oficial, o perfil de Mateus poderá ter sido mal enquadrado desde o início. Waldemar José defende que o talento natural do jovem reside no salvamento e não necessariamente na ordem pública.
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A proposta: Reencaminhar Mateus para o Serviço de Proteção Civil e Bombeiros (SPCB).
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O argumento: “O lugar dele é nos Bombeiros. Ainda há tempo para o redirecionar… porque tem habilidades para salvamentos”, afirmou o Comissário.
A direção do Colégio de Polícia assegura que esgotou os esforços de integração, incluindo acompanhamento psicológico e reuniões com a família, mantendo a porta aberta para uma futura reintegração.
O caso de Mateus Domingos reacende agora o debate público em Angola sobre a pressão mediática em torno de figuras heróicas e as dificuldades reais de reinserção social de jovens em situação de vulnerabilidade, questionando se o apoio institucional foi suficiente para lidar com os traumas e hábitos anteriores do “Herói de Viana”.



