Profissionais de saúde destacados para Hospital geral 4 de Abril no município do Luau afirmam estar a enfrentar condições desumanas de trabalho, discriminação, ameaças e irregularidades na gestão de subsídios.
Funcionários do Hospital 4 de Abril, no município do Luau, província do Moxico, denunciaram uma série de maus‑tratos e abusos por parte da liderança local. Os técnicos, enviados de várias províncias para reforçar os serviços de saúde, afirmam que trabalham há meses em condições precárias e sob constante intimidação.
Segundo os profissionais, ao chegarem ao município foram encaminhados para uma zona situada a cerca de 20 quilómetros da vila do Luau, onde não havia água, energia eléctrica nem condições mínimas de habitabilidade. “Viemos várias pessoas, até bebés recém‑nascidos, porque as mães eram obrigadas a entregar a candidatura presencialmente”, relatou uma das funcionárias.
Os trabalhadores afirmam que, após o Ministério de Saúde tomar conhecimento da situação, houve uma breve melhoria, mas que tudo voltou “ao normal” pouco tempo depois.
Outra queixa recorrente diz respeito ao subsídio de horas extras. Os técnicos afirmam que, apesar de trabalharem além do horário, muitos não recebem o valor devido. “Neste momento recebo 140.000 kz. Pergunto-me se com esse salário consigo sustentar os meus filhos em Luanda ou sequer sobreviver aqui”, lamentou uma funcionária.
Segundo ela, o subsídio de horas extras, que ronda os 50.000 kz, só é pago a quem “o chefe simpatiza”.
Os profissionais denunciam ainda práticas de tribalismo e abuso de poder. “Somos vítimas de discriminação por não sermos naturais do Moxico”
Eles também acusam a liderança local de não possuir formação adequada para os cargos que ocupam.
O clima de intimidação é outro ponto crítico. Os trabalhadores dizem ser ameaçados com o termo “caça às bruxas”, usado para amedrontar quem tenta contestar irregularidades. “Saímos das nossas províncias para salvar vidas, mas somos ameaçados por chefes que nem são funcionários do “Ministério da Saúde”, e sim do governo municipal do Luau”, denunciou um dos profissionais.
Um funcionário relatou ter sido suspenso e impedido de receber o subsídio de horas extras simplesmente por ter saído para buscar o jantar. “É um dinheiro que não sai do bolso deles. Não entendemos tanta maldade e injustiça com os técnicos”, concluiu.



