LUANDA-Durante uma entrevista ao programa Turbilhão da Sociedade, o político e ex-vice-presidente do Movimento dos Estudantes Angolanos (MEA), Joaquim Lutambi, levantou dúvidas sobre a possibilidade de vitória dos partidos da oposição nas eleições previstas para 2027 .
Segundo Lutambi, o discurso recorrente de que a oposição poderá conquistar o poder carece de fundamentos práticos. “O MPLA continua com o monopólio de tudo: administração pública, recursos financeiros, polícias e militares. Então como é que vai ganhar as eleições? Porque quem manda, no fim, não é a vontade popular, é a vontade da arma”, afirmou.
O político destacou que, sem uma força capaz de enfrentar a estrutura dominante do partido no poder, a oposição dificilmente conseguirá impor-se. Para ele, é necessário que cidadãos e académicos façam uma avaliação crítica sobre os mecanismos que sustentam o atual sistema político.
Fraude eleitoral começa na preparação
Lutambi também abordou o tema da fraude eleitoral, sublinhando que esta não se inicia no momento do voto, mas sim na fase de preparação. Ele criticou a contratação da empresa Indra, responsável pelo processo tecnológico das eleições, apontando-a como um dos fatores que contribuíram para o elevado número de abstenções em 2022.
“A Indra foi muito questionada, porque esteve ligada ao número excessivo de abstenções. Cerca de 13 milhões de eleitores ficaram sem votar. Ainda assim, voltou a ser contratada sem critérios claros”, denunciou.
Para o político, a repetição dos mesmos métodos e fórmulas favorece a manutenção do poder pelo partido dominante. A oposição, segundo ele, terá de enfrentar novamente o desafio da abstenção e da falta de transparência no processo eleitoral.



