Uma equipa conjunta de vários órgãos de comunicação social foi impedida de realizar o seu trabalho no terreno do km-36, no município de Cabiri, província do Icolo e Bengo, no dia 25 de Novembro de 2025, quando tentava apurar denúncias de ocupação ilegal e presença de seguranças privados. O episódio levanta sérias dúvidas sobre o respeito pela liberdade de imprensa e pelo Estado de Direito em Angola.
O momento, seguiu-se de vários acontecimentos que passamos a citar:
Seguranças armados bloqueiam coberturaao chegar ao local, os repórteres encontraram cinco seguranças uniformizados, alegadamente ligados a uma empresa associada ao Superintendente Azevedo Paim, Chefe do Posto de Comando do Comando Provincial de Luanda. Além deles, dois homens corpulentos e sem identificação assumiram postura violenta e intimidatória, impedindo filmagens, fotografias, entrevistas e qualquer registo documental da situação.
Segundo os jornalistas, os indivíduos ordenaram que “ninguém filmasse” e que “a reportagem não seria feita ali”. Denúncias anteriores apontam que a presença destes seguranças teria sido determinada pelo Tenente-Coronel Heitor Nunes, da Polícia Judiciária Militar, acompanhado de elementos Comandos.
Administradora de Cabiri reage com hostilidade Após serem impedidos de trabalhar no terreno, os jornalistas dirigiram-se à Administração Municipal de Cabiri para ouvir a versão oficial. No local, foram recebidos pela Administradora Municipal, Isabel Nicolau Kudiqueba dos Santos, acompanhada por agentes do DIIP (Departamento de Investigação de Ilícitos Penais), todos fardados e armados.
Em vez de prestar esclarecimentos, a Administradora adotou uma postura descrita como “arrogante e intimidatória”. Testemunhos relatam que levantou a voz, ameaçou prender jornalistas e afirmou que “não reconhece proprietário nenhum”.Contradições e provas documentais.
Apesar de negar conhecer o proprietário do terreno, a equipa jornalística teve acesso a documentos e mensagens trocadas via WhatsApp que demonstram contacto prévio da Administradora com o legítimo dono. Entre as provas estão o envio de documentos do terreno, pedidos de esclarecimento e participações formais às autoridades.
Questões sem resposta o caso deixa várias perguntas em aberto:
• Quem autorizou a presença de seguranças privados e homens armados no terreno?
• Por que motivo um terreno com registo legal há mais de 20 anos está sob domínio de terceiros?
• Qual é o papel do Tenente-Coronel Heitor Nunes na ocupação?
• Por que a Administradora nega conhecer o proprietário apesar das provas de comunicação?
Por que jornalistas foram recebidos com ameaças numa administração pública?
Liberdade de imprensa em risco
O impedimento do trabalho da imprensa e o comportamento hostil das autoridades locais configuram um grave ataque ao exercício do jornalismo em Angola. Organizações de defesa da liberdade de imprensa classificam tais práticas como abuso de autoridade, violação do direito à informação e tentativa de impedir o escrutínio público.
Estado de Direito em questão o episódio no km-36 expõe problemas maiores: interferência de autoridades militares em litígios civis, alegada participação de entidades municipais em invasões, contradições oficiais e intimidação à imprensa. Enquanto isso, os seguranças permanecem no terreno e as autoridades competentes mantêm silêncio.




