LUANDA – O cenário mediático angolano poderá enfrentar uma paralisação total nos próximos dias. Os profissionais dos principais órgãos de comunicação social públicos e de capitais públicos — incluindo RNA, ANGOP, TPA, Edições Novembro, TV Zimbo e Grupo Media Nova — admitem avançar para uma greve por tempo indeterminado, alegando o incumprimento dos acordos firmados entre o Governo e o Sindicato dos Jornalistas Angolanos (SJA).
Assembleia Decisiva marcada para 6 de Março
Face ao que descreve como “incumprimentos sucessivos” dos compromissos traçados sob mediação do Ministério da Administração Pública, Trabalho e Segurança Social (MAPTSS), o SJA convocou uma Assembleia Geral de Trabalhadores para a próxima sexta-feira, 6 de Março, em Luanda.
A agenda do encontro foca-se num único ponto crítico: o levantamento da suspensão da greve que havia sido decretada em Setembro de 2025.
As Razões do Impasse
Segundo fontes sindicais, as promessas de melhoria das condições laborais e salariais não foram concretizadas dentro dos prazos estipulados. Caso a suspensão seja levantada na sexta-feira, os jornalistas reservam-se o direito de:
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Reactivar imediatamente a declaração de greve;
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Recorrer a outras formas legais de mobilização sindical para pressionar a entidade empregadora.
Órgãos Abrangidos pela Paralisação
A confirmar-se a greve, o impacto será profundo, abrangendo os pilares da informação no país:
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Televisão: TPA e TV Zimbo.
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Rádio: Rádio Nacional de Angola (RNA) e Rádio Mais.
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Imprensa Escrita: Edições Novembro (Jornal de Angola, Jornal dos Desportos, etc.) e Jornal O País.
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Agências: Agência Angola Press (ANGOP).
“A nossa classe exige rigor no cumprimento dos acordos. O jornalismo é o oxigénio da democracia e não pode ser exercido em condições de precariedade extrema”, refere um membro do sindicato ouvido pelo Novo Jornal.
O país aguarda agora o desfecho da assembleia de sexta-feira, que determinará se Angola enfrentará um “apagão informativo” nos órgãos estatais e de referência.



