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Juventude Angolana entende que os 50 anos de independência serviu para adiar as esperanças

O debate realizado pela Bibiotéca comunitária em viana com vários participantes  sobre o cinquentenário da Independência de Angola (11 de Novembro de 2025) está a ser marcado por uma visão “muito sombria e negativa”, que descreve a data como um período de “promessas adiadas” e “50 anos de pobreza absoluta”. O foco das críticas recai sobre a falta de acesso a direitos básicos para a população, como educação, saúde pública, água, habitação e primeiro emprego.

O governo tem sido alvo de severas críticas pela gestão das celebrações, com a alegação de que os gastos em festas, símbolos e “muita pronoscuidade, muita futilidade” contrastam drasticamente com os “50 anos de miséria” da população. A contradição é sublinhada pela presença de hotéis ocupados e grandes celebrações, enquanto parte da população, incluindo jovens “sem esperança”, enfrenta dificuldades básicas, como a falta de alimentos em hospitais.

O jogo amigável de futebol entre as seleções de Angola e Argentina, agendado como parte das celebrações, tornou-se um grande ponto de protesto. A principal discórdia não é a vinda da equipa argentina, mas sim o “investimento financeiro” avultado que o governo desembolsou para o evento, valor que, segundo a UNITA, se cifra em 20 milhões de dólares para “distrair” o povo. Este gasto é condenado enquanto o povo é forçado a “apanhar lixo nos contentores, bidons de água e ferros para sobreviver”. A juventude agendou uma manifestação para protestar contra este gasto e a entrada de estrangeiros que estariam a “levar todos os nossos dinheiros”.

O General Bento Kangamba foi desafiado publicamente a cumprir a promessa de reabilitar seis escolas públicas em “péssimas condições”. No entanto, o seu grupo de apoio, que se tinha comprometido a entrar em contacto no início de novembro, encontra-se em silêncio.

A crítica é ainda mais aj uda ao contrastar o investimento de “6 milhões ou 8 milhões de dólares” numa partida de futebol com a situação de crianças a sentarem-se “no chão” e a irem à escola “sem quadros, sem carteiras”. As escolas já foram cadastradas e as crianças têm ido a campo com cartazes a pedir livros e carteiras, destacando a importância da sua formação.

O sociólogo e historiador Salomão Panzo defende que a luta pela conquista de direitos sociais e económicos deve ser travada “cá em Angola onde é que a frente dobra”, sentindo o sofrimento do povo, e não “na nobreza da Espanha, de Portugal, da América”.

A mensagem final apela a que o MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola) reconheça que o momento exige que “uma outra organização [crie] as suas agendas” e crie as condições necessárias para que “as eleições sejam justas” e o povo consiga os resultados que procura, com um perfil de voto positivo.

 

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