LUANDA- O Governador da Província de Luanda, Luís Manuel da Fonseca Nunes, é apontado em círculos políticos como interessado em garantir que uma das suas empresas privadas assuma a gestão da Empresa Pública de Águas de Luanda (EPAL), no âmbito das reformas em curso no setor empresarial do Estado .
Desde que João Lourenço chegou ao poder em 2017, várias empresas públicas foram incluídas no programa oficial de privatizações (PROPRIV). Contudo, em finais de 2023, o Ministro da Energia e Águas, João Baptista Borges, afastou a possibilidade de privatização das empresas de águas e saneamento de Luanda e Cabinda, admitindo apenas a concessão da gestão a parceiros privados internacionais com comprovada idoneidade técnica.
Apesar disso, fontes indicam que o Governador de Luanda terá manifestado disponibilidade para assumir a EPAL. Como o Executivo anunciou que a gestão deveria ser entregue a uma entidade nacional, há quem sugira que esteja a ser encontrada uma solução que permita a participação discreta de uma das empresas de Luís Nunes, posteriormente apresentada como vencedora, evitando acusações de favoritismo.
A Diretora Nacional da Água, Elsa Ramos, justificou a entrega da gestão a privados com a alegada falta de capacidade das empresas nacionais, sobretudo em termos de recursos humanos, para corresponder aos investimentos já realizados pelo Estado. Sublinhou ainda que não haverá privatização de ativos, mas apenas concessão de gestão.
Em termos comparativos, a EPAL continua a ser uma empresa pública e não integra o PROPRIV, embora o Governo admita entregar a sua gestão a operadores privados. A TCUL também permanece pública, com o plano de privatização suspenso e a gestão sob controlo do Governo Provincial de Luanda. Já empresas estratégicas como a Sonangol, a Endiama e a TAAG estão efetivamente listadas no PROPRIV, prevendo-se a sua privatização parcial ou total.



