Sexta-feira, Março 13, 2026
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“Não há dinheiro no mundo que me faça incentivar o voto no MPLA” afirma Francisco Teixeira.

Em entrevista ao programa Turbilhão da Sociedade da TV Maiombe, conduzido por Jubileu Panda, Francisco Teixeira, líder do recém-criado Movimento Social para a Mudança (MSM), reafirmou a sua postura crítica em relação ao partido no poder em Angola. Com declarações fortes, o activista descartou qualquer possibilidade de aliança com o MPLA, classificando tal ato como uma “loucura”.

Jubileu Panda: Francisco Teixeira, boa noite, seja muito bem-vindo à TV Maiombe. Francisco Teixeira: Boa noite, caro amigo Jubileu, boa noite a todos os telespectadores da TV Maiombe.

Jubileu Panda: Francisco Teixeira, recentemente o senhor afirmou que não existe dinheiro no mundo que o faça incentivar as pessoas a votarem no MPLA. Pode explicar melhor essa posição? Francisco Teixeira: Não pode haver dinheiro no mundo que me faça cometer essa loucura. Só um louco, nem mesmo no nível mais alto da esquizofrenia, diria isso. O MPLA é um partido que deixa pessoas dormirem no chão, que permite que cidadãos morram nos hospitais por falta de uma agulha ou seringa. É um partido que não consegue asfaltar ruas, que mantém estradas esburacadas em todo canto. Então, Jubileu, fica sério: nunca vou pedir à juventude angolana para se unir ao MPLA.

Jubileu Panda: O senhor é presidente do recém-criado Movimento Social para a Mudança. O que é exatamente o MSM e quais são os seus objetivos? Francisco Teixeira: Nós entendemos que o país precisa de mudanças em vários setores da sociedade. Mudança de governo, mas mudanças pacíficas, sem apelo à guerra ou ao caos. O MSM nasceu como uma estrutura composta por jovens e adultos, para influenciar o cenário político e ajudar a classe trabalhadora e outras que enfrentam dificuldades devido à incapacidade do atual governo.

Jubileu Panda: Que tipo de ações o movimento pretende realizar? Francisco Teixeira: Estamos a organizar-nos como um movimento de massa. Em breve, vamos iniciar ações cívicas de rua, visitas a mercados, hospitais, e estaremos presentes onde os jovens e trabalhadores precisarem de apoio. Motoqueiros, taxistas, qualquer classe que necessite de intervenção, o movimento estará lá para ajudar na resolução dos problemas.

Jubileu Panda: O MSM é um partido político ou apenas um movimento social? Francisco Teixeira: Não é um partido. É um movimento social com pendor político, com ideias e luta política. Mais à frente, poderemos apoiar partidos da oposição que se identifiquem com as nossas ideias de mudança e que estejam organizados e disciplinados para concretizar os sonhos que temos para o país.

Jubileu Panda: Nessa altura, é apenas um movimento. Qual é a dificuldade em criar um partido político, tendo em conta que os seus seguidores pedem mesmo a criação de um partido? Francisco Teixeira: Jubileu, é nesse aspecto que às vezes me zango contigo. Você coloca questões como se não vivesse em Angola. Você sabe bem as dificuldades que existem para criar um partido político. O governo cria entraves todos os dias. Muitos movimentos tentaram e não conseguiram. O Ngola Kiluanje, por exemplo, tinha mais de 50 mil assinaturas e não passou. Então, não é falta de vontade nossa, é falta de abertura política.

Jubileu Panda: Mas qual é exatamente a dificuldade de identificar essa “porta” para legalizar um partido? Francisco Teixeira: A decisão é política, Jubileu. Os que governam não querem que a gente passe. Já tentamos por várias vias, mas não conseguimos. Muitos partidos foram chumbados: Moda, Copa, Esperança, Prama, Pruma, MBanza Ranza. O Tribunal diz que não cumprem os trâmites, mas você acredita mesmo nesse Tribunal?

Jubileu Panda: Então o problema está nos tribunais? Francisco Teixeira: Jubileu, sinceramente, você acredita que os tribunais têm feito um grande trabalho? Eu não acredito. O governo não tem vontade de legalizar partidos. Se tivesse, muitos jovens que tentaram já teriam conseguido.

Jubileu Panda: E quanto ao MSM, terá respaldo legal? Francisco Teixeira: Sim, já demos entrada da documentação para nos legalizar como associação. A Constituição permite que três, quatro ou cinco pessoas se juntem e criem uma associação. É diferente de partido político, que exige mais requisitos e enfrenta mais entraves. Mas vamos crescer, vamos nos organizar, e acredito que podemos superar vários partidos em termos de disciplina e mobilização.

Jubileu Panda: Com a criação desse movimento, vocês querem ganhar o quê? O MSM vai candidatar-se às eleições? Francisco Teixeira: Não, Jubileu. O nosso objetivo é ajudar a juventude e participar da vida social do país. Mais à frente, poderemos apoiar um partido da oposição que esteja alinhado com as nossas ideias.

Jubileu Panda: Você acredita nos partidos da oposição? Francisco Teixeira: Claro que acredito. Temos o Pra-Já, a UNITA, o Liberal, a FNLA, o PRS. Se desacreditarmos nos partidos da oposição, estamos a dizer que o MPLA pode ficar mais 50 anos no poder. Isso seria grave. Eu acredito que em 2027 muita coisa pode mudar, desde que os partidos da oposição se preparem condignamente.

Jubileu Panda: Em 2022, muitos disseram que a UNITA negou o poder. Qual é a sua visão? Francisco Teixeira: Eu acompanhei, Jubileu. Não podemos dizer que negaram o poder. Acho que foram comedidos. O povo esperava uma liderança mais firme, mas também é preciso contenção. Nada justifica a perda de vidas. Se houvesse mortes, iam culpar Adalberto, Abel ou Filomeno de querer o poder a qualquer custo. Então, podemos criticar tudo, menos a paz.

Jubileu Panda: O seu discurso sempre fala que em 2027 o MPLA tem de sair do poder. De que forma é que isso vai acontecer? Francisco Teixeira: Se estamos a ir para eleições, vai sair nas urnas.

Jubileu Panda: Mas em quem deposita essa confiança? Francisco Teixeira: Temos que trabalhar na confiança do povo. É verdade que muita gente já não acredita, mas precisamos devolver esperança às pessoas. É hora de nos levantarmos, organizarmos e apoiarmos a oposição para que haja bons resultados no próximo pleito. Muitos ativistas, políticos, académicos e jornalistas perderam a fé, mas eu acredito que ainda é possível.

Jubileu Panda: O senhor rejeitou a proposta do PADDA. Por quê? Francisco Teixeira: A questão do PADDA é sensível. Tivemos encontros permanentes, mas havia muitos interesses de grupo que não estavam salvaguardados. Por isso decidimos parar as conversações. Não existe acordo firmado juridicamente que me coloque como cabeça de lista do PADDA. Se as conversações retomarem e chegarmos a um acordo, eu direi publicamente. Mas, por enquanto, não há acordo.

Jubileu Panda: Há quem diga que a UNITA está a patrocinar o seu movimento. Outros dizem que é o Pra-Já ou até o PADDA. O que responde? Francisco Teixeira: Já me colocaram em vários partidos. Disseram que eu estava na UNITA, no Pra-Já, no PADDA, até em partidos não legalizados. Chegaram a inventar partidos como “partido fome” ou “partido chota mulher” e me colocaram como presidente. Para mim isso é normal. Mas quero deixar claro: o MSM é um movimento social e cívico. Mais à frente, decidiremos qual partido apoiar, mas neste momento não somos patrocinados por nenhum.

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