LUANDA – Sob um discurso de forte descontentamento com a atual gestão do país, foi anunciada a criação de um novo movimento social que visa mobilizar a juventude angolana para uma “mudança real”. O grupo, que se posiciona como uma alternativa crítica ao governo do MPLA, afirma estar pronto para ocupar o espaço político e as ruas de forma organizada e disciplinada.
O presidente do movimento Francisco Teixeira, questionou severamente a eficácia das políticas públicas atuais, citando deficiências críticas nos setores da saúde, educação, transporte e no acesso ao emprego justo. “Não sei se o governo tem alguma coisa que esteja a fazer bem”, afirmou, condicionando qualquer colaboração com o Executivo à demonstração de resultados concretos que até agora, segundo o grupo, são inexistentes.
Apesar do tom combativo, o movimento enfatiza que sua base de atuação será o diálogo, a paz e as urnas. O grupo revelou já estar em conversações com diversas forças políticas da oposição — como a UNITA e o Bloco Democrático (através do PRA-JA) — que compartilham a visão de uma “outra Angola”.
A Luta Contra a “Batota” Eleitoral
Um dos pontos centrais da estratégia do movimento é a fiscalização do processo eleitoral. Utilizando uma metáfora sobre jogos de cartas (suega) , a liderança alertou para a necessidade de a oposição e a sociedade civil controlarem rigorosamente as mesas de voto.
“A missão de controlar a batota não é do MPLA… a oposição é que tem de se organizar para controlar”.
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Motociclistas: Apoio na obtenção de documentos e cartas de condução, citando as dificuldades junto às administrações municipais.
Serviços Públicos: Denúncia da demora na emissão de passaportes e outros documentos essenciais.
Forças de Defesa e Segurança: Em um gesto de aproximação, o movimento expressou solidariedade aos polícias e militares, reconhecendo que estes também sofrem com baixos salários e condições de vida precárias nos bairros.
Relação com o MEA e Futuro Político
Para evitar conflitos de competência, o novo movimento esclareceu que não irá interferir nas áreas de atuação do MEIA (Movimento dos Estudantes Angolanos), que continuará focado na defesa do setor educativo e dos estudantes
O grupo pretende atuar diretamente nas comunidades, auxiliando cidadãos em questões burocráticas e sociais, como:Por fim, a liderança assumiu sem hesitação a natureza política da iniciativa. “Ser político não é crime” , declararam, incentivando os jovens a perderem o medo da política para que possam decidir o próprio futuro e combater o que classificam como “políticos maus”. O movimento prepara agora uma fase de inscrições em todos os municípios para consolidar sua base nacional.



