Em entrevista à TV Maiombe, Júlio Bessa, líder do recém-legalizado Partido Cidadania, apresenta o projecto “Angola 2075”, posiciona a sua força política como uma “terceira via” contra a polarização e explica a sua rutura com o partido no poder.
TV Maiombe (TVM): O senhor está na província do Huambo para apresentar o projecto político do Partido Cidadania. Qual é a principal mensagem que pretende transmitir aos cidadãos?
Júlio Bessa (JB): Antes de mais, gostaria de reconhecer o trabalho dos órgãos de comunicação independentes, que continuam a ser uma das poucas fontes de informação plural para os angolanos. Estamos no Huambo no âmbito da “Semana da Cidadania”, uma iniciativa para apresentar a nossa visão do país, à qual chamamos “Angola 2075 – O Sonho Angolano”. Já passaram 50 anos desde a independência. Acreditamos que, embora cada cidadão tenha um sonho individual, o mais importante agora é construir um sonho colectivo para os próximos 50 anos. Queremos ouvir os angolanos e perceber que país desejam deixar aos seus filhos e netos.
TVM: Qual é a real importância de estabelecer uma visão de tão longo prazo?
JB: Reconhecemos os avanços alcançados na construção do Estado angolano desde 1975. No entanto, os líderes fundadores não conseguiram alcançar um consenso sobre uma visão comum para o país, o que acabou por nos conduzir ao conflito. Hoje, queremos inverter essa lógica: antes de discutir o poder, precisamos de discutir o país. Nações que atingiram elevados níveis de desenvolvimento, como a China e vários outros países asiáticos, só o conseguiram porque definiram objectivos estratégicos de longo prazo.
TVM: O Partido Cidadania ainda é pouco conhecido em várias regiões do país. O que justifica este défice de notoriedade?
JB: O partido concluiu recentemente o seu processo de legalização. Em 2025, concentrámo-nos na organização interna, na formação dos nossos membros e na criação de estruturas de base. Grande parte dos nossos militantes nunca teve experiência política anterior. Por isso, realizámos seminários em praticamente todas as províncias para explicar conceitos básicos sobre política, Constituição, cidadania e os nossos princípios ideológicos. Até ao momento, já formámos pessoas em 18 províncias, reunindo entre 200 a 250 participantes por sessão, com o objectivo de criar núcleos de base conscientes e preparados.
A “Terceira Via” e a Diferenciação Política
TVM: O que distingue, afinal, o Partido Cidadania das restantes forças políticas consolidadas, como o MPLA, a UNITA ou o PRA-JA?
JB: O MPLA e a UNITA nasceram da luta de libertação nacional e possuem estruturas históricas enraizadas. Nós somos um partido novo, construído totalmente de raiz. A nossa actuação assenta em quatro pilares fundamentais, estruturados para romper com o passado.



