O JAA (Juventude Angolana Agora) surge no cenário político angolano com uma matriz de centro-direita e uma proposta de renovação geracional. Em entrevista, o secretário-geral do partido, Paulo, detalha o estado actual da legalização, as críticas à governação de João Lourenço e a visão do partido para o futuro do país.
Pergunta: O JÁ é um projecto de que já se falou na imprensa. A que ponto está o projecto actualmente?
PAULO: O projecto JÁ vem para congregar, orientar e despertar a juventude, as actuais e as futuras gerações. Estamos a gozar de boa saúde e começámos com o pé direito. Neste momento, realizamos um trabalho extensivo de recolha de assinaturas num périplo por todas as províncias do país. Estamos também a organizar a nossa orientação política e a divulgar a nossa matriz de centro-direita, profundamente comprometida com as aspirações de uma juventude que clama por reformas estatais e institucionais.
Pergunta: O que é que o vosso projecto político traz de novo para o mercado nacional, perante o desemprego e os anseios dos jovens?
Resposta: Trazemos uma reflexão profunda. É triste notar que, por vezes, um animal na Europa parece ter mais valor do que um jovem em Angola. Somos um país rico em recursos, mas a juventude não está no centro das decisões para os próximos 50 anos. O JAA defende a despartidarização das instituições. Há décadas que os jovens são arrastados para “pensar partido” em vez de “pensar país”. Queremos preparar os jovens para uma transição geracional responsável, assente também em valores cristãos, pois acreditamos que “feliz é a nação cujo Deus é o Senhor”.
Pergunta: Qual é exactamente o sonho do JAA?
Paulo: O nosso sonho assenta em três pontos fundamentais:
- Uma Angola para todos: Onde os angolanos decidam permanecer e se sintam realizados.
- Dignidade Juvenil: Foco na oportunidade do primeiro emprego, acesso a micro-crédito e inclusão nas políticas internas.
- Valorização do Cidadão: Antes da militância partidária ou religiosa, as pessoas devem ser reconhecidas como cidadãos plenos. O exercício da cidadania deve ser a base de tudo.
Pergunta: Por que razão a juventude deveria apoiar o JAA em vez dos partidos já estabelecidos?
Paulo: Porque o JÁ acredita que não é positivo depositar esperanças em partidos históricos ligados a uma história de guerra. Muitos dos conflitos que o país ainda vive são frutos de problemas mal resolvidos entre essas forças. A juventude tem vivido de promessas vazias, tanto do Executivo como de outros partidos com assento parlamentar. O futuro é agora — como dizia Séneca, a vida não precisa de adiamentos.
Pergunta: Como avalia a governação do Presidente João Lourenço?
Paulo: É uma avaliação complexa. Embora existam reformas positivas, o país regrediu em termos de liberdade de expressão e segurança pública. Consideramos que foram aprovadas leis injustas, como a lei contra as fake news e outras que punem sem olhar para as causas sociais da vulnerabilidade das famílias. Assistimos a uma governação viciada, onde a corrupção deixou de ser uma endemia para se tornar uma pandemia que corrói o sistema público e privado.
Pergunta: Qual a sua visão sobre o posicionamento da oposição actual, nomeadamente a UNITA?
Paulo: O nosso foco não é os outros partidos, mas sim fazer a nossa parte. Respeitamos todas as forças políticas, incluindo o MPLA e a UNITA, mas notamos que muitos jovens já não se revêem em organizações com histórico de guerra. Não discutimos pessoas, discutimos programas. A juventude busca uma organização “neófita”, sem querelas antigas com as famílias angolanas.
Pergunta: E quanto ao contributo das igrejas no desenvolvimento do país?
Paulo: Historicamente, o contributo foi positivo na reconstrução moral e ética. No entanto, hoje notamos uma timidez e um encolhimento. Algumas denominações parecem ter “vendido a alma ao diabo”, afastando-se do serviço às comunidades e da defesa dos mais pobres. É necessária uma reflexão profunda para que a igreja volte a estar ao lado das famílias desfavorecidas.



