LUANDA-A recente reforma do Código do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares, aprovada pela Assembleia Nacional, está a gerar forte contestação entre trabalhadores informais. A nova lei obriga taxistas, zungueiras, influenciadores digitais, lotadores, mixeiros e outros profissionais a pagar imposto sobre os seus rendimentos .
Nas ruas de Luanda, muitos cidadãos manifestaram descontentamento. Lotadores afirmam que recebem valores muito baixos entre 200 e 300 kwanzas por corrida e questionam como será possível contribuir para o fisco sem comprometer a sobrevivência diária. “Até quando vou juntar dinheiro para pagar imposto?”, lamentou um trabalhador.
As zungueiras também demonstraram preocupação, temendo que fiscais possam apreender mercadorias e prejudicar ainda mais o sustento das famílias. “Nós acordamos às cinco da manhã para trabalhar, mas o pouco que ganhamos mal dá para pão, água e energia. Como vamos pagar imposto?”, questionou uma vendedora.
Entre os argumentos mais recorrentes está a falta de investimento do Estado nos cidadãos e o elevado desemprego. Muitos consideram injusto que trabalhadores informais sejam tributados sem que haja políticas de apoio ou criação de empregos formais. “O país está mal, não aceitamos essa lei”, disse um morador do Grafanil, bar no Cazenga, acrescentando que a medida só será respeitada quando houver oportunidades reais de trabalho.
Os manifestantes apelam ao Presidente da República e aos deputados para que revejam a decisão, defendendo que antes de aprovar leis desta natureza é necessário compreender a realidade das ruas e das famílias angolanas



