Quarta-feira, Agosto 19, 2026
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Zungueiras da Ponte Partida denunciam maus-tratos e exigem alternativas ao Decreto Presidencial

MULENVOS As mulheres que recorrem à venda ambulante — conhecida localmente como “zunga” — nas imediações da Ponte Partida continuam a denunciar uma vaga crescente de maus-tratos, perseguições e apreensões violentas de mercadorias por parte das equipas de fiscalização municipal. Os relatos surgem num momento de forte asfixia económica para os agregados familiares, agravado pelas restrições impostas pelo Governo angolano ao comércio informal.
O Mulenvos  está o impacto direto do Decreto Presidencial n.º 111/24, de 17 de maio. O documento legal proíbe rigorosamente a comercialização na via pública de uma vasta gama de produtos, com particular destaque para alimentos perecíveis, medicamentos, bebidas alcoólicas, combustíveis e materiais de construção. Se, por um lado, o Executivo justifica a medida com a necessidade de reordenar o comércio e salvaguardar a saúde pública, por outro, a ausência de soluções estruturais prévias empurra milhares de vendedoras para a clandestinidade económica.
A equipa de reportagem da Tv Maiombe, constatou que, na zona da Ponte Partida, dezenas de zungueiras continuam a exercer a atividade em condições de extrema insalubridade, comercializando alimentos a poucos metros de grandes amontoados de lixo.
Confrontadas com os riscos biológicos a que estão expostas, as vendedoras assumem a gravidade da situação, mas apontam a fome e a falta de emprego como os fatores que as obrigam a ignorar o perigo.
Para estas mães de família, a constante “corrida” dos fiscais e o risco de perder o capital investido são secundários face à urgência de garantir o sustento diário dos filhos, o pagamento de propinas e o acesso a cuidados de saúde básicos. De acordo com as testemunhas locais, abandonar as ruas sem uma alternativa de rendimento imediata significaria o colapso financeiro absoluto das suas habitações.
Clamor por mercados e apelo à Presidência da República
Diante do atual cenário de tensão e violência urbana, as zungueiras lançaram um apelo direto ao Presidente da República, João Lourenço, para que sejam desenhadas políticas públicas que consigam conciliar a necessária organização do espaço urbano com a sobrevivência económica das franjas mais vulneráveis da sociedade.
O sector informal defende que a solução para o problema não passa pela via estritamente policial ou punitiva, mas sim pela criação urgente de mercados municipais estruturados, com taxas acessíveis e condições higiénicas mínimas. As vendedoras exigem o direito de trabalhar com dignidade e segurança jurídica, pondo fim ao ciclo de perseguições que ameaça a paz social nas principais artérias comerciais da província.

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