A equipa de reportagem da Tv Maiombe, constatou que, na zona da Ponte Partida, dezenas de zungueiras continuam a exercer a atividade em condições de extrema insalubridade, comercializando alimentos a poucos metros de grandes amontoados de lixo.
Confrontadas com os riscos biológicos a que estão expostas, as vendedoras assumem a gravidade da situação, mas apontam a fome e a falta de emprego como os fatores que as obrigam a ignorar o perigo.
Para estas mães de família, a constante “corrida” dos fiscais e o risco de perder o capital investido são secundários face à urgência de garantir o sustento diário dos filhos, o pagamento de propinas e o acesso a cuidados de saúde básicos. De acordo com as testemunhas locais, abandonar as ruas sem uma alternativa de rendimento imediata significaria o colapso financeiro absoluto das suas habitações.
Clamor por mercados e apelo à Presidência da República
Diante do atual cenário de tensão e violência urbana, as zungueiras lançaram um apelo direto ao Presidente da República, João Lourenço, para que sejam desenhadas políticas públicas que consigam conciliar a necessária organização do espaço urbano com a sobrevivência económica das franjas mais vulneráveis da sociedade.
O sector informal defende que a solução para o problema não passa pela via estritamente policial ou punitiva, mas sim pela criação urgente de mercados municipais estruturados, com taxas acessíveis e condições higiénicas mínimas. As vendedoras exigem o direito de trabalhar com dignidade e segurança jurídica, pondo fim ao ciclo de perseguições que ameaça a paz social nas principais artérias comerciais da província.