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Diplomacia de saída: Gana promete isenção de vistos para passaportes ordinários, mas comércio bilateral continua aquém do potencial

LuandaA República do Gana manifestou formalmente a intenção de estender o regime de isenção de vistos aos cidadãos angolanos e ganenses titulares de passaportes ordinários. O anúncio foi feito pela embaixadora cessante do Gana em Angola, Mavis Esi Kusorgbor, na manhã desta quarta-feira, 14 de setembro de 2026, após apresentar os seus cumprimentos de despedida ao Presidente da República, João Lourenço, no Palácio Presidencial.

A intenção diplomática surge na esteira da recente ratificação do acordo que já isenta de vistos os cidadãos com passaportes de serviço e diplomáticos. “Esperamos que, num futuro não tão distante, possamos aplicar o mesmo procedimento para os passaportes ordinários”, frisou a diplomata ghanense, sustentando que a medida visa aproximar os dois povos e encurtar a distância de uma viagem que, segundo palavras do próprio João Lourenço, dura cerca de três horas de voo.
Apesar do tom otimista e de celebração que pautou o fim do mandato de quatro anos da diplomata, analistas do sector económico alertam que a facilitação de vistos na rota Luanda-Acra peca por tardia e que a retórica diplomática contrasta com a timidez dos números comerciais.
Embora a embaixadora tenha destacado a realização de um fórum que trouxe 30 pequenas e médias empresas ganenses a Angola, a aproximação das classes empresariais ainda esbarra na falta de conexões logísticas regulares e duradouras. A eliminação da barreira dos vistos para o cidadão comum é encarada como um passo crucial, mas inconsequente se não for acompanhada pela redução das taxas alfandegárias e pela melhoria das rotas de transporte de mercadorias no âmbito da Zona de Comércio Livre Continental Africana (AfCFTA).
Mavis Esi Kusorgbor, declarou deixar o país com o espírito de “missão cumprida”, elogiando a hospitalidade angolana e afirmando ter-se sentido em casa durante a sua estadia. A diplomata enfatizou o reforço da cooperação bilateral e o aumento do fluxo de cidadãos ganenses em território nacional como os principais marcos da sua gestão.
Contudo, o grande desafio para o seu sucessor será converter as facilidades de trânsito civil em riqueza económica tangível. A comunidade empresarial de ambos os lados aguarda que a pretensão manifestada nesta audiência de despedida não se dissipe na burocracia dos respetivos Ministérios das Relações Exteriores, permitindo que a prometida livre circulação de pessoas e bens nasça antes das eleições gerais angolanas de 2027.
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