LUANDA- O Partido Liberal convocou a imprensa para denunciar publicamente o abandono das obras de reabilitação da escola Anangola, em Luanda, paralisada há mais de dois anos, apesar de o contrato prever um prazo de execução de apenas seis meses e contar com um financiamento de 405 mil dólares saídos do Orçamento Geral do Estado.
Durante a visita guiada aos jornalistas, o partido apontou o dedo à inação das instituições do Estado e ao agravamento da crise educativa no país. Segundo o presidente da força política, Luís de Castro, a infraestrutura cujo início ocorreu em 24 de junho de 2024 encontra-se completamente abandonada, comprometendo o início de mais um ano letivo e forçando as crianças a deslocarem-se para longe ou a engrossarem as estatísticas de menores fora do sistema de ensino, estimadas em cerca de 4,5 milhões a nível nacional.
Luís de Castro, criticou ainda a disparidade de custos com base nos parâmetros do Programa Integrado de Intervenção nos Municípios (PIM), argumentando que o valor alocado para esta única obra permitiria construir e equipar três estabelecimentos de ensino semelhantes.
O político aproveitou para apontar o que classifica como um “silêncio sepulcral” da Procuradoria Geral da República (PGR) face às múltiplas queixas apresentadas contra a gestão de fundos públicos, sublinhando que a falta de responsabilização de administradores e gestores públicos corrói os discursos oficiais de combate à corrupção.
Além da denúncia sobre a escola Anangola, Luís de Castro alertou para a degradação geral das condições sociais no país, mencionando casos de crianças angolanas que atravessam as fronteiras para estudar na República Democrática do Congo ou que sobrevivem a mendigar nas ruas da Namíbia.
Diante deste cenário, o Partido Liberal exigiu a conclusão urgente da obra para que seja devolvida à comunidade e garantiu que anunciará novas medidas nos próximos dias para combater o que descreve como a má gestão do erário público.



