O programa Turbilhão da Sociedade, conduzido pelo jornalista Jubileu Panda da TV MAIOMBE, regressou com um novo cenário e recebeu como convidado Leonardo Marcos, responsável pela Organização UNIVEIRA, para uma conversa sobre a situação política e social de Angola, as eleições de 2027, o papel da oposição e da sociedade civil.
Jornalista: Como avalia a situação actual de Angola?
Leonardo Marcos: Na nossa perspetiva, o país atravessa um momento muito difícil. Entendemos que, desde que o Presidente João Lourenço assumiu a liderança do país, as promessas eleitorais não tiveram impacto significativo na vida dos cidadãos. Por isso, fazemos uma avaliação muito negativa da actual governação.
Jornalista: O MPLA não é um bom partido?
Leonardo Marcos: Na nossa opinião, não. Caso contrário, os resultados seriam diferentes.
Jornalista: Mas o MPLA governa há cerca de 50 anos.
Leonardo Marcos: Entendemos que nunca existiram eleições plenamente livres e justas. Consideramos que Angola vive um sistema multipartidário apenas na aparência, mas que ainda enfrenta limitações democráticas.
Jornalista: Está a dizer que Angola não é um Estado Democrático?
Leonardo Marcos: Na nossa visão, existem muitas limitações ao exercício pleno da democracia. Consideramos que ainda há dificuldades quanto à liberdade de expressão e ao respeito pelas opiniões divergentes.
Jornalista: O senhor não considera exageradas essas críticas?
Leonardo Marcos: Não. Entendemos que são críticas políticas fundamentadas na nossa leitura da realidade nacional.
Jornalista: Como vê a relação entre o MPLA e a UNITA?
Leonardo Marcos: São forças políticas com visões diferentes. Na nossa leitura, a UNITA desempenhou um papel importante na abertura política do país, embora hoje a mudança dependa sobretudo da mobilização da sociedade civil.
Jornalista: Há quem diga que o seu discurso é demasiado radical.
Leonardo Marcos: Discordo. O nosso objetivo é denunciar problemas que consideramos graves, como pobreza, corrupção e dificuldades económicas.
Jornalista: Qual é a sua relação com o administrador municipal do Rangel?
Leonardo Marcos: Temos uma relação institucional e cordial. Sempre que identificamos problemas no município, apresentamos as nossas preocupações. Isso não significa qualquer ligação política.
Jornalista: Existe alguma relação entre si e Bento Kangamba?
Leonardo Marcos: Não. Conheço-o apenas como figura pública. Nunca tive qualquer relação de amizade ou financiamento por parte dele.
Jornalista: Confia em Adalberto Costa Júnior?
Leonardo Marcos: Considero-o um político relevante na oposição. Nunca tive contacto directo com ele, mas reconheço o seu papel na política angolana.
Jornalista: Como vê algumas contradições nos seus discursos?
Leonardo Marcos: Todos os políticos podem cometer erros. O importante é analisar o conjunto do trabalho realizado.
Jornalista: Como avalia a proposta da UNITA sobre o aumento do financiamento público dos partidos?
Leonardo Marcos: É uma questão sensível. Defendo que qualquer decisão deve ser transparente e servir o interesse público.
Jornalista: Quem pode derrotar o MPLA?
Leonardo Marcos: Na minha opinião, a mudança dependerá sobretudo da mobilização dos cidadãos. Os partidos políticos são instrumentos eleitorais, mas a participação popular será determinante.
Jornalista: Como avalia os concursos públicos promovidos pelo Ministério do Interior?
Leonardo Marcos: Acredito que muitos jovens procuram essas oportunidades por falta de alternativas de emprego. Defendo maior investimento no sector privado e no empreendedorismo.
Jornalista: Que políticas considera prioritárias para os jovens?
Leonardo Marcos: É necessário investir mais na formação técnica, profissional e no empreendedorismo, permitindo que os jovens criem empresas e gerem emprego.
Jornalista: Como analisa o chumbo da candidatura do general Higino Carneiro à liderança do MPLA?
Leonardo Marcos: Na minha opinião, foi uma decisão preocupante. Entendo que processos internos dos partidos devem respeitar os regulamentos e garantir igualdade de oportunidades aos candidatos.
Jornalista: Como avalia a governação do Presidente João Lourenço?
Leonardo Marcos: Faço uma avaliação negativa. Considero que muitos dos problemas sociais e económicos permanecem sem solução.
Jornalista: Como avalia a recente interrupção dos serviços da UNITEL?
Leonardo Marcos: Entendo que situações desse tipo têm impacto significativo na economia e na vida dos cidadãos, pelo que devem ser esclarecidas com transparência pelas entidades competentes.
Jornalista: Que mensagem deixa aos angolanos?
Leonardo Marcos: Apelo à participação cívica, ao respeito pelas leis, ao exercício do voto consciente e à defesa dos princípios democráticos. Independentemente das diferenças políticas, acredito que todos os angolanos devem trabalhar para construir um país mais desenvolvido, justo e inclusivo.
Leonardo Marcos critica governação e defende maior participação da sociedade civil
O responsável pela Organização UNIVEIRA, Leonardo Marcos, foi o convidado da mais recente edição do programa Turbilhão da Sociedade, conduzido pelo jornalista Jubileu Panda, da TV MAIOMBE. Durante a entrevista, abordou a situação política e social de Angola, as perspectivas para as eleições gerais de 2027, o papel da oposição e da sociedade civil, apresentando uma visão crítica sobre a governação e defendendo uma maior participação dos cidadãos na vida pública.
Ao analisar a situação atual de Angola, Leonardo Marcos afirmou que o país atravessa um período difícil, sustentando que as promessas eleitorais apresentadas durante a governação do Presidente João Lourenço não se traduziram, na sua opinião, em melhorias significativas nas condições de vida da população. O activista classificou a actuação do Executivo como negativa.
Questionado sobre a permanência do MPLA no poder ao longo de várias décadas, Leonardo Marcos defendeu que Angola ainda não vive uma democracia plena. Segundo o entrevistado, o sistema político favorece a continuidade do partido no poder e impõe limitações à livre participação política e ao exercício das liberdades democráticas.
Relativamente ao papel da UNITA, considerou que o maior partido da oposição desempenha uma função importante no panorama político nacional. Contudo, sustentou que uma eventual mudança dependerá sobretudo da mobilização da sociedade civil e da juventude, mais do que da ação dos partidos políticos.
Confrontado com críticas que classificam o seu discurso como radical, Leonardo Marcos rejeitou essa caracterização, afirmando que a sua intervenção pública se limita a denunciar problemas relacionados com a governação, a corrupção, a pobreza e a falta de oportunidades para os jovens.
Durante a entrevista, esclareceu ainda a sua relação com o administrador municipal do Rangel, Lourenço Domingos, afirmando que existe apenas uma relação institucional baseada na apresentação de preocupações dos munícipes, negando qualquer benefício pessoal.
Sobre alegadas ligações ao empresário Bento Kangamba, Leonardo Marcos negou manter qualquer relação próxima ou receber apoio financeiro, afirmando que as informações divulgadas nas redes sociais não correspondem à realidade.
Questionado sobre Adalberto Costa Júnior, líder da UNITA, disse considerá-lo um político relevante e defendeu que poderá contribuir para a alternância política em Angola, reconhecendo, no entanto, que todos os dirigentes políticos estão sujeitos a cometer erros.
A propósito da proposta relacionada com o financiamento dos partidos políticos, o responsável da Organização UNIVEIRA afirmou que o tema merece uma análise cuidadosa, considerando que determinadas decisões podem ser utilizadas para provocar desgaste político junto da oposição.
Sobre o mais recente discurso do Presidente João Lourenço, Leonardo Marcos declarou não o ter acompanhado na íntegra, justificando o seu desinteresse com o entendimento de que, na sua perspetiva, os discursos presidenciais nem sempre são acompanhados por resultados concretos.
Relativamente aos concursos públicos para ingresso na Polícia Nacional, considerou que muitos jovens procuram essa via por falta de alternativas de emprego, defendendo um maior investimento do Estado no empreendedorismo, na formação profissional e no fortalecimento do sector privado.
O entrevistado comentou igualmente o chumbo da candidatura de Higino Carneiro à liderança do MPLA, considerando que a decisão representa um fator negativo para a democracia interna do partido. Na sua opinião, os militantes devem poder concorrer livremente aos cargos previstos nos estatutos partidários.
Na mensagem final dirigida aos angolanos, Leonardo Marcos apelou a uma maior participação da sociedade civil e incentivou a juventude a envolver-se activamente na vida pública. Defendeu ainda que qualquer alternância política deve ocorrer através dos mecanismos previstos na Constituição da República, com participação activa dos cidadãos nas eleições gerais de 2027.



