Em entrevista à TV Maiombe, o ativista considerou “inconcebível” a recandidatura de João Lourenço à liderança do partido e alertou para uma estratégia de impeachment interno.
LUANDA – O ativista Adolfo Campos lançou duras críticas à governação do MPLA e à postura dos partidos da oposição durante uma entrevista exclusiva ao programa Turbilhão da Sociedade, da TV Maiombe. Campos acusou o partido no poder de manter um regime de “intimidação e incumprimento crónico das leis”, apelando a uma frente unida da oposição para garantir a alternância política nas eleições gerais de 2027.
O Fantasma da Bissefalia e do Impeachment
Para o analista, a intenção de João Lourenço em recandidatar-se à presidência do MPLA — mesmo estando no seu último mandato constitucional como Chefe de Estado — é um erro estratégico que pode mergulhar o partido numa crise institucional.
Adolfo Campos antevê um cenário de bissefalia política (dois centros de poder distintos) e sugere que o próprio regime poderá estar a desenhar uma armadilha interna. “Se estão prestes a correr para uma bissefalia, obviamente que também estão a planear um impeachment para o presidente que eles próprios vão eleger, caso este não obedeça às ordens de João Lourenço”, alertou, citando ainda as alegadas perseguições à candidatura de Higino Carneiro.
Críticas à Oposição: “Perda de Confiança”
Apesar do tom musculado contra o MPLA, Adolfo Campos não poupou a UNITA e os restantes membros da Frente Patriótica Unida (FPU). O ativista classificou as recentes polémicas sobre verbas financeiras no seio da coligação como uma “distração política negativa”.
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Sociedade Civil: Campos afirmou que os cidadãos estão a perder a confiança nos líderes oposicionistas.
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Parlamento: Acusou os deputados de “falta de coragem” na fiscalização do Orçamento Geral do Estado (OGE), priorizando benefícios financeiros em vez dos interesses do povo.
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Renovação: Segundo ele, a oposição precisa de uma “nova roupagem” para convencer o eleitorado em 2027.
“Se os mais velhos conseguiram em 1975 correr com o colono português, também conseguimos correr com o ‘colono preto’, que é o nosso irmão.” — Adolfo Campos
O Risco de Insurreição Popular
Ao traçar um paralelo entre o período colonial e o atual consulado do MPLA, o ativista defendeu que o partido perdeu a legitimidade para vencer eleições. Campos concluiu com um alerta severo: caso não haja uma mudança democrática e pacífica através das urnas, o país corre o risco de enfrentar uma insurreição popular motivada pela fome, pelo desemprego e pela profunda crise social.



