Em entrevista à TV Maiombe, o secretário provincial do Partido Liberal (PL) em Luanda detalha a expansão territorial da força política na capital, critica o desgaste e o populismo dos partidos tradicionais e apela aos jovens para que não abandonem o país.
Entrevista conduzida por: Redação TV Maiombe
TV Maiombe: O Partido Liberal tem intensificado as suas ações em Luanda nos últimos meses. Como se encontra atualmente o processo de implantação territorial na capital?
Tomás Paulo: Do ponto de vista da implantação e do alinhamento estratégico, o partido está muito bem. Após três meses de um trabalho focado na organização interna e formação de quadros, consolidámos a nossa base de dados e avançámos para novas frentes. O PL já se encontra implantado em localidades onde antes não tinha representação formal, com destaque para os municípios do Rangel e do Mussulo, onde os trabalhos de mobilização e criação de condições para a abertura de sedes formais estão em curso. Em termos de conexão direta com a população de Luanda, já nos distanciamos dos concorrentes. Estamos preparados para passar para a próxima fase da nossa estratégia.
TV Maiombe: No vosso discurso, há um foco muito claro nos dados estatísticos das eleições gerais de 2022. Qual é a vossa grande aposta para o pleito de 2027?
Tomás Paulo: A nossa grande aposta reside precisamente na análise desses dados. Lembramos que, mesmo num cenário onde havia uma forte crença de alternância política impulsionada pela Frente Patriótica Unida (FPU), a taxa de abstenção em Angola fixou-se nos 51%. Isso significa que o número de votantes reais foi inferior ao número de cidadãos que simplesmente não foram às urnas. O Partido Liberal posiciona-se como um amplo movimento cívico e está a trabalhar para resgatar essas pessoas, que continuam sem se rever nas políticas das forças tradicionais. Queremos construir uma alternância credível em 2027.
TV Maiombe: O MPLA tem um congresso agendado para dezembro para eleger uma nova direção. Como é que o PL olha para as movimentações do partido no poder e para o atual xadrez político?
Tomás Paulo: Mostramo-nos céticos quanto à eficácia de novas estratégias do partido que governa o país, tendo em conta a acentuada degradação da condição social dos angolanos. O que assistimos hoje é uma “pessoalização da política” por parte das forças tradicionais, com ataques pessoais e comportamentos que classificamos como infantis no debate público. Ao invés de agregarem valor e definirem caminhos, os partidos tradicionais [MPLA e UNITA] mostram-se cada dia mais desgastados e sem soluções para tirar Angola do marasmo.
“Nós não atacamos pessoas, focamos nos problemas e nas soluções. Quem se propõe a mudar velhos hábitos tem de ser ponderado.” — Tomás Paulo
TV Maiombe: De que forma o Partido Liberal pretende diferenciar-se dessas polémicas no debate público atual?
Tomás Paulo: Demarcamo-nos completamente de polémicas e denúncias sem provas, que consideramos um “não assunto” alimentado pelo populismo. A agenda mediática deveria focar-se nas reais dificuldades da população. Para nós, os temas urgentes são a crise do desemprego juvenil, a pobreza que afeta mais de 10 milhões de angolanos, as longas filas de cidadãos à procura de água no Cazenga e a vulnerabilidade social das jovens mulheres.
TV Maiombe: Para fechar, que mensagem gostaria de deixar aos cidadãos, em particular à juventude angolana que hoje demonstra muito ceticismo em relação ao futuro?
Tomás Paulo: A mensagem que deixo é de esperança e resiliência: Angola é nossa. Nenhum partido é dono deste país. Não abandonem a vossa pátria, não desistam de lutar. O Partido Liberal propõe-se a estar na linha da frente para dirigir as grandes mudanças e defender a verdade eleitoral até ao último momento em 2027.



