Belas – A comissão instaladora do coletivo de trabalhadores do Grupo Shoprite realizou uma conferência de imprensa com o objetivo de manifestar o seu profundo descontentamento diante da falta de resposta do Tribunal da Comarca de Belas. Em causa está um processo judicial relativo ao despedimento, classificado como injusto, de mais de 70 funcionários no ano de 2023.
Durante o encontro com os jornalistas, os ex-funcionários detalharam o ponto de situação do litígio laboral nas instâncias judiciais e criticaram a morosidade do processo jurídico, que prolonga o sofrimento das famílias afetadas.

Os lesados relatam que a Shoprite se tem recusado a acatar os termos discutidos e as próprias deliberações judiciais preliminares. Esta postura da empresa resultou no recurso e arrastamento do caso por duas instâncias judiciais, deixando os antigos trabalhadores privados do seu sustento básico há cerca de três anos enquanto aguardam por um veredito definitivo.
Juliana Nambolo Fernando, uma das funcionárias afetadas pelo despedimento coletivo, partilhou as severas dificuldades socioeconómicas que enfrenta devido ao desemprego prolongado decorrente deste impasse na justiça.
De acordo com Samuel Chineca, outro dos profissionais integrados no grupo de demitidos, o conflito com a multinacional teve origem numa greve convocada devido às precárias condições de trabalho. Os trabalhadores protestavam, na altura, contra alegados maus-tratos e a ausência do pagamento de subsídios regulamentares de direito.
Face ao atual cenário de vulnerabilidade social, o coletivo de trabalhadores emitiu um apelo urgente e conjunto dirigido tanto à direção da Shoprite como aos magistrados do Tribunal da Comarca de Belas. A comissão exige celeridade processual e uma resolução legal definitiva que ponha fim ao litígio e reponha os direitos laborais violados.