A Coordenadora-geral das Mulheres do Renova Angola considera insuficiente a representação feminina na política e defende políticas públicas que garantam maior autonomia e dignidade às mulheres.
A coordenadora-geral das Mulheres do Renova Angola, Rosa Conde, defendeu maior participação das mulheres nos espaços de decisão política em Angola. A dirigente considera que, apesar de as mulheres constituírem a maioria da população, a sua presença nas estruturas de poder continua abaixo do desejável.
Em entrevista ao programa Frente Feminina, Rosa Conde afirmou que as mulheres angolanas não estão suficientemente representadas no Parlamento e entende a necessidade de desconstruir a ideia de que a mulher deve estar limitada ao espaço doméstico.
“A mulher renovadora não quer ser assistente, espectadora do cenário político no nosso país. A mulher renovadora quer ser protagonista no cenário político da virada, na mudança das políticas do nosso país.”
Para a responsável, a falta de representatividade feminina não se resume à ausência de oportunidades, mas está também relacionada com narrativas sociais que continuam a limitar a participação das mulheres em posições de liderança.
Rosa Conde entende que é necessário criar condições para que as mulheres possam concíliar a vida familiar com a carreira profissional e a participação política. Entre as medidas defendidas está a criação de creches comunitárias e públicas, que permitam às mães deixar os filhos em segurança enquanto desenvolvem outras actividades.
A situação das mulheres que trabalham no comércio informal foi igualmente abordada durante a entrevista. Rosa Conde classificou como “lastimável” a actuação de alguns fiscais durante as operações de retirada das vendedoras das ruas.
A dirigente questiona a utilização da força contra mulheres que, muitas vezes, encontram no comércio informal a principal fonte de sustento das suas famílias.
Na sua perspectiva, o Estado deve encontrar alternativas que permitam às mulheres obter rendimentos de forma digna, apostando na educação, formação profissional e criação de oportunidades económicas.
Rosa Conde considera ainda que as mulheres do sector informal desempenham um papel importante na economia e contribuem para a receita do Estado, apesar de, segundo afirma, continuarem a ser uma franja pouco valorizada.
Sobre a participação das mulheres no Renova Angola, Rosa Conde afirmou que a organização tem desenvolvido actividades de mobilização, palestras e formações com o objectivo de aproximar mais mulheres do partido.
Segundo a coordenadora, a organização feminina possui estruturas em várias províncias e pretende continuar a trabalhar para aumentar a participação das mulheres na vida política.
Rosa Conde sublinhou, contudo, que os resultados alcançados não devem conduzir ao conformismo, defendendo mais trabalho de mobilização e organização para os próximos desafios eleitorais.
A dirigente reafirmou, por fim, que a mulher deve assumir um papel activo na transformação da sociedade e na construção de uma política mais inclusiva, deixando de ser apenas espectadora dos processos de decisão do país.



