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Detenção arbitrária de jornalista no Calumbo expõe abuso de poder e acende alerta sobre “esquadras de favor”

Isidro Kangandjo, diretor do portal Factos Diários, foi detido ilegalmente na Esquadra do Zango 1 após tentar ouvir o contraditório do administrador adjunto do Calumbo, Joelson Gomes.

CALUMBO– A detenção ilegal do jornalista Isidro Kangandjo, diretor do portal de notícias Factos Diários, ocorrida na passada sexta-feira, 25 de setembro de 2026, expôs a persistência de abusos de poder e o recurso a detenções arbitrárias por figuras do aparelho de Estado na província de IColo e Bengo.

O jornalista foi liberado no sábado, 26 de setembro, após a intervenção direta das altas chefias centrais da Polícia Nacional e do Serviço de Investigação Criminal (SIC), que travaram uma ordem ilegal que visava manter o profissional numa cela comum com criminosos de alta periculosidade.
O caso teve início quando Isidro Kangandjo contactou o Administrador Municipal Adjunto para a Área Técnica, Infraestruturas e Serviços Comunitários do Calumbo, Joelson Joaquim da Costa Gomes, com o objetivo de exercer o princípio jornalístico do contraditório face a uma denúncia que impendia sobre o gestor público. Em resposta, o administrador adjunto utilizou a estrutura do Gabinete de Comunicação da Administração Municipal para atrair o jornalista até às instalações da instituição, local onde foi detido sem qualquer mandado formal ou acusação instruída.
Cárcere privado ilegal e restrição de direitos básicos
Após a detenção na administração, Kangandjo foi transferido para as celas da Esquadra de Polícia do Zango 1, localizada na Rua da Maxi, município de Calumbo. Relatos obtidos junto de fontes associativas indicam que a permanência do jornalista na unidade foi acompanhada de contornos de extrema gravidade. Havia orientações expressas transmitidas aos agentes de plantão para isolar o profissional e impedi-lo de receber alimentação fornecida por familiares ou colegas.
O expediente utilizado configura uma violação flagrante da Lei dos Crimes contra a Segurança do Estado e do Código de Processo Penal angolano.
A detenção foi executada à revelia de qualquer magistrado do Ministério Público, operando com base nas chamadas “ordens superiores” e em relações de proximidade informal entre o administrador queixoso e agentes locais do SIC afetos ao Ministério do Interior.

A libertação do jornalista foi precipitada por uma rápida e inédita mobilização de profissionais da imprensa privada e independente de Luanda, que exigiram a reposição da legalidade às portas da esquadra. O desfecho positivo foi alcançado graças à intervenção da Diretora do SIC e do Comandante da Polícia, que desautorizaram o abuso de autoridade praticado na esquadra do Zango 1.
O episódio no Município de Calumbo — uma região historicamente fustigada por denúncias de expropriação de terras e arbitrariedades policiais — acendeu o debate sobre a urgência de uma auditoria profunda por parte da Procuradoria-Geral da República (PGR) Central.
Defensores dos Direitos Humanos e profissionais da comunicação social advertem que a conversão de esquadras públicas em “instrumentos de coação privada” ao serviço de governantes locais representa um grave recuo na democratização do país e uma ameaça direta à liberdade de imprensa nas vésperas do ano eleitoral de 2027.

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