CALUMBO –Os residentes da Vila Alegre, na zona do Kikuxi, município de Calumbo, saíram à rua hoje, 16 de setembro de 2026, para protestar contra as severas consequências de uma crise de poluição ambiental provocada por uma unidade fabril instalada na localidade. A população exige que a Administração do Estado ordene o encerramento imediato ou a deslocalização da fábrica para uma zona industrial isolada, sob pena de avançarem com formas de protesto mais severas na capital.
Instalada em zona residencial desde 2021, fábrica gerida por investidor estrangeiro cobre quintais com pó químico semelhante a sabão e ignora promessas do Ministério do Ambiente e da Administração de Calumbo.
A manifestação pacífica ficou marcada por momentos de forte tensão, após os moradores denunciarem tentativas de opressão e coação psicológica exercidas por indivíduos trajados à paisana, alegadamente associados a forças de segurança.
O foco da revolta comunitária recai sobre uma fábrica instalada na região entre 2021 e 2022, de acordo com o histórico das comissões de moradores. A unidade fabril expele continuamente resíduos químicos voláteis de cor branca, descritos pela população como uma camada densa de sabão em pó (“homo”), que contamina os quintais, cobre a vegetação local e afeta gravemente a saúde pública, com especial incidência em crianças.
Os manifestantes alegam que a convivência com as emissões químicas é insustentável, sobretudo nos períodos da tarde e da noite, forçando as famílias a permanecerem trancadas no interior das habitações para evitar a inalação dos gases. “Acordamos com produtos químicos. As plantas e o chão ficam cheios de homo. Já estamos com esta situação há mais de dois anos, mas nos últimos meses tudo piorou”, desabafou um dos residentes durante o protesto.
A comunidade aponta o dedo à inércia do Executivo. Em fevereiro passado, a Administração Municipal de Viana e a Direção Provincial de Ambiente (DIP) realizaram uma auscultação local na qual prometeram a resolução definitiva do diferendo num prazo máximo de três meses. Contudo, com o ano de 2026 a caminhar para o fim, nenhuma medida corretiva ou sancionatória foi aplicada contra a empresa.



